Pouco negociados, papéis da Vigor "aguardam" JBS

Depois de concluir o processo de abertura de capital da Vigor no final de junho, a JBS aguarda uma janela de oportunidade no mercado de capitais para vender suas ações e resolver um dos problemas da companhia: a baixa liquidez dos papéis da empresa de lácteos na BM&FBovespa.

Desde a abertura do capital, em 22 de junho, a Vigor tem um giro diário médio "modesto" de R$ 168,5 mil nos pregões da BMF&Bovespa, segundo dados da Economatica. Nesse intervalo, as ações acumulam uma valorização de 24,22%, para R$ 7,95.

"De fato, nossa liquidez é muito baixa. Estamos esperando o momento adequado para a JBS vender as ações que detém", disse na última sexta-feira o diretor de finanças e relações com investidores da Vigor, Maurício Hasson, em teleconferência com analistas sobre os resultados da empresa de lácteos no segundo trimestre.

No período, a receita líquida da companhia atingiu R$ 324,2 milhões, incremento de 9,8% sobre o montante registrado um ano antes. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) saltou 124,5%, para R$ 18,5 milhões. A empresa reportou, ainda, um lucro líquido de R$ 4,3 milhões, crescimento de 138,3%.

Com 21,3% do capital da Vigor, a JBS deve exercer a opção de vender suas ações nos próximos 24 meses, conforme prevê a cláusula 5.16 da Oferta Permuta de Ações (OPA), operação que permitiu a abertura do capital da companhia, até então uma divisão da própria JBS.

A participação do frigorífico na empresa de lácteos é um resultado direto OPA, feita por meio da troca dos papéis da própria JBS pelos da Vigor. Como apenas 78,7% dos acionistas do frigorífico aderiram à oferta, a processadora de carnes ficou com o restante das ações (21,3%). Atualmente, a FB Participações, controladora do JBS, detém 44,6% das ações, e o BNDES responde por 31,4% dos papéis. Outros 2,6% estão pulverizados no mercado.

Questionado sobre o desempenho do segundo trimestre, o presidente da Vigor, Gilberto Xandó, disse que a companhia de lácteos ainda está longe de seu potencial. "Historicamente, nosso mercado tem obtido margens acima de dois dígitos, por volta de 10%,11%. É natural que a gente alcance esse patamar", assegurou o executivo. Entre abril e junho, a margem Ebtida da empresa atingiu 5,7%, ante 2,8% do mesmo trimestre de 2011.

Xandó argumentou que, diferente das margens apertadas das operações com leite longa vida (UHT), a Vigor concentra sua produção em derivados de leite como iogurtes e queijos nobres, que têm maior valor agregado.

"A nossa estratégia é manter em porcentuais menores os produtos de menor valor agregado", afirmou o executivo. No segundo trimestre de 2012, o leite UHT respondeu por 8% do faturamento da Vigor, segundo Xandó.

Entre abril e junho, a empresa reduziu o volume de UHT comercializado em 25,8%, para 15 mil toneladas. Já as vendas de queijos e requeijões avançaram 12,9%, para 6,3 mil toneladas, em linha com a estratégia da Vigor.

Em contrapartida, o volume de iogurtes recuou 1,3%, para 18,8 mil toneladas, em resposta à elevação de preços feita pela companhia. Por último, as vendas de margarina, manteiga, maionese e óleos cresceram 25,6%, para 35,6 mil toneladas.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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