Potencial produtivo da próxima safra em xeque

Passado o período de florada do café da safra 2018/19 no país, as expectativas se voltam para o desenvolvimento das lavouras nas regiões produtoras. Ainda é cedo para fazer estimativas sobre a colheita, mas a percepção é de que o potencial produtivo da próxima safra não deve ser alcançado. Ainda assim, a produção deve superar a atual, uma vez que o ciclo 2018/19 é de bienalidade positiva.

Uma das principais razões para os receios em relação ao potencial produtivo da safra é o volume de chuvas abaixo da média em outubro passado, mês em que ocorre a principal florada do café arábica.

Houve, de maneira geral, chuvas em todas as regiões produtoras de arábica e de conilon do país, em outubro. Mas as precipitações ficaram abaixo da média e foram mais concentradas no fim do mês, observa Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima.

Diante disso, deve haver redução do potencial produtivo, afirma Santos. Na safra 2017/18, que acaba de ser colhida, de bienalidade negativa, a produção está estimada em 44,77 milhões de sacas, 12,8% menos que no ciclo anterior. O número considera a produção de arábica e a de conilon.

"Houve pouca chuva em relação a anos anteriores. Em outubro, choveu menos da metade", afirma Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Mas, segundo ele, "a florada foi boa" nas regiões de atuação da cooperativa. Agora, diz, são necessárias chuvas até março para garantir o bom desenvolvimento dos cafezais.

Santos, da Rural Clima, afirma que a previsão é de chuvas mais regulares nas regiões de café do Brasil nos próximos 60 dias, o que é uma boa notícia para os produtores do grão.

O presidente da Cooxupé estima que só será possível ter uma ideia do tamanho da nova safra de café a partir de março. Mas os números da temporada em curso, a 2017/18, estão virtualmente definidos.

A maior cooperativa de café do mundo revisou para 4,7 milhões de sacas o volume de café arábica que irá receber este ano. Em setembro, previa 4,8 milhões. Agora, serão 3,8 milhões de sacas de cooperados e 900 mil de terceiros. Inicialmente, a Cooxupé esperava receber 5,6 milhões de sacas – 4,28 milhões de cooperados e 1,320 milhão de terceiros.

A razão para a redução na estimativa de recebimento é a menor produtividade dos cafezais da região, pois houve maior incidência de peneiras menores. "Está entrando menos café [nos armazéns]", afirma Costa.

Considerando estoques remanescentes do grão, a Cooxupé deve exportar 4 milhões de sacas de café este ano, segundo ele. Outras 1,5 milhão de sacas serão destinadas ao mercado doméstico.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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