Porto Seguro renova aposta no campo

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Edson Frizzarim (dir.) e Joaquim Cesar, executivos da Porto Seguro: "Estruturação contínua" no segmento rural no país

Lento, porém contínuo. Assim tem sido o avanço da Porto Seguro no segmento de seguro rural desde 2007, e a tendência para os próximos anos não deverá mudar. A lógica dessa estratégia é simples: mesmo que ainda seja relativamente pequeno e dependente de recursos do governo, o que alimenta incertezas, esse mercado apresenta um potencial gigantesco de expansão que torna difícil ignorá-lo. Assim, mesmo que não possa sentar na janela agora, a empresa não quer perder o bonde.

Com prêmios que hoje superam R$ 10 bilhões por ano em todas as suas áreas de atuação, a Porto Seguro fez sua primeira incursão no ramo rural entre 1999 e 2000. Na época, o foco eram os produtores de maçã do Sul. A demanda no campo por apólices de seguradoras privadas, contudo, era ínfima, e a empreitada teve vida curta. Mas Brasília lançou o programa federal de subvenções ao prêmio do seguro rural em 2006 e a companhia iniciou no ano seguinte uma nova trajetória no segmento.

"Recomeçamos com frutas, hortaliças e, mais recentemente, passamos a atuar também no mercado de grãos", afirma Joaquim Cesar, coordenador de Agronegócios da Porto Seguro. Na recém-concluída safra 2012/13, os prêmios da empresa no segmento rural somaram R$ 37,5 milhões, 44,2% mais que no ciclo 2011/12 (R$ 26 milhões). Os produtos cobertos atualmente variam conforme a região (São Paulo, Minas, Paraná e partes do Centro-Oeste e do Nordeste), mas a lista inclui frutas como caqui, goiaba, manga, maçã, laranja e uva, hortaliças como cebola e tomate e os principais grãos produzidos no país (soja e milho).

A companhia evita fazer projeções para a safra atual, até porque os R$ 700 milhões prometidos pelo governo para o programa de apoio – as subvenções federais ao prêmio variam de 40% a 60%, conforme cultura e região – ainda não foram liberados. E a cautela continuará a dar o tom. "Queremos estar no agronegócio. Vamos seguir com uma estruturação contínua", diz Edson Frizzarim, diretor de Ramos Elementares da companhia.

Antes do programa federal de subvenções, o mercado de seguro rural privado girava entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões em prêmios no país. Agora, é praticamente do tamanho do montante disponível de subsídios e dominado pelo Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, que tem uma participação que gira em torno de 70% – equivalente à fatia do Banco do Brasil nos desembolsos de crédito rural dos planos de safra oficiais.

Também há programas estaduais de apoio à contratação de seguro rural, mas em dimensões bem menores. O de São Paulo, por exemplo, reserva cerca de R$ 25 milhões. Calcula-se que as contratações de seguro rural privado sem subvenção movimentem prêmios equivalentes a menos de 10% das contratações de apólices com subvenção – que cobrem, no total, uma produção agrícola distribuída em cerca de 5 milhões de hectares.

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Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo

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