Porto de Paranaguá apresenta problemas de infraestrutura para movimentação da supersafra de grãos

Estradas que levam ao porto estão em péssimas condições e navios estão chegando fora do prazo

João Henrique Bosco | Paranaguá (PR)

Nauro Júnior / Agencia RBS

Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS

Pico da safra deve acontecer a partir da metade de março

O Porto de Paranaguá (PR) já começou a receber parte da supersafra histórica de grãos do país, que deve chegar a 185 milhões de toneladas neste ano. O pico da safra deve acontecer a partir da metade de março e já preocupa autoridades portuárias, representantes dos terminais privados e todos os envolvidos no processo de exportação. O volume de granéis sólidos movimentados deve ser 20% maior do que 2012, o que representa cerca de três a quatro toneladas a mais. A movimentação no porto já começou, com filas de navios e caminhões carregados.
O caminho do campo até o porto é marcado por estradas em péssimas condições. Os problemas de infraestrutura são presentes até a chegada à Paranaguá.
– Fecham os portões [do porto] e acabou. Lá dentro, eles que mandam, e, aqui fora, pouco importa quem fica na fila, quanto tempo fica, quantas horas fica. Não tem nenhuma infraestrutura, nada – afirma o motorista Roberto Picussa.
Para evitar filas, os caminhões ficam em um pátio com capacidade para 1.500 veículos, de onde saem apenas para descarregar nos terminais. Neste ano, 70% das cargas devem estar ligadas ao agronegócio. O assessor técnico e econômico da Faep, Nilson Camargo, aponta que as dificuldades esperadas para esta safra são muito grandes.
– Em condições normais, já teríamos dificuldades, como tivemos em outros anos em função do estrangulamento que existe no porto de Paranaguá. Se aumentarmos significamente esta safra, com certeza as dificuldades ficam maiores ainda. Acesso ao porto, desembarque de mercadoria, agilidade de todas as instalações portuárias, que precisarão trabalhar 24 horas por dia. A dificuldade que se espera no porto para este ano é muito grande – pontua.
O início da safra já começou a descer dos Estados do Centro-Oeste e das regiões produtoras no Paraná. Segundo o motorista Roberto Picussa, o engarrafamento já aumentou em fevereiro.
–  Engarrafamento de não passar nada. Tem dias que você fica três, quatro horas parado e não passa nem para um lado, nem para o outro – destaca.
Na última semana, em um dia, foram contados mais de 60 navios na fila para o carregarregamento de soja, farelo e milho. São embarcações que estão paradas em alto mar, sem conseguir aproximação com o cais. A superintendendência do porto enfatiza que o problema acontece porque muitos chegam antes do previsto e não há carga para eles.
– Esta fila é reflexo do nosso aumento no comércio exterior, mais exportação, mais importação. Alguns navios estão fora do prazo, outros chegaram e não tem carga para carregar. Mas, grande parte deles tem um contrato feito para embarcar e não conseguiram. Eles pagarão uma penalidade, um valor extremamente alto. Quem acaba pagando a conta do produto do agronegócio é o produtor rural – sublinha Nilson Camargo.
Preocupada com os congestionamentos, a superintendência do porto lançou a Operação Safra, que consiste na distribuição de panfletos e na orientação, tentando organizar a multidão que deve invadir o local.
– A própria administração portuária que participa das reuniões demonstra uma preocupação muito grande. Eles estão esperando uma avalanche para este ano. E estão ultimando ações que nunca haviam sido feitas, como ir ao interior do Paraná, também querem chegar ao Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, com informações para que tenham cautela, não enviem mercadorias para o porto, só encaminhem mercadoria que tenham o seu navio devidamente nomeado – acrescenta Camargo.
O motorista Lindomar Cardoso da Silva faz três viagens por mês, trazendo soja de Lucas do Rio Verde (MT). Cada uma tem levado, em média, 10 dias. A vantagem vem sendo o preço do frete: quase R$ 300,00 por tonelada. Ele aponta, no entanto, que os problemas de falta de infraestrutura podem trazer consequências piores.
– Na nossa região, estão morrendo três, quatro pessoas por dia devido aos acidentes. A estrada não suporta mais, é muito caminhão, muito buraco. Você vai desviar do buraco e vem outro [veículo] de frente – lamenta o motorista.

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Fonte: Ruralbr

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