POLÍTICA – Bolsonaro defende produção agrícola em terras indígenas após visitar comunidades tradicionais

Presidente inaugurou ponte em terra indígena próxima a reserva de nióbio um dia após garimpeiros dispararem contra índios munduruku

A após a sua primeira visita a uma comunidade tradicional desde que iniciou o mandato, na última sexta-feira (28/5), o presidente Jair Bolsonaro defendeu a produção agropecuário em terra indígenas e acusou europeus de discriminarem indígenas e de se recusarem a comprar a produção dessas regiões. Bolsonaro relatou que, na visita, viu os povos baikiris e caiapós plantando e afirmou que eles querem produzir.

Presidente Jair Bolsonaro ouve o hino nacional em visita a terras indígenas, no Amazonas  (Foto: Marcos Correa/Divulgação)

Presidente Jair Bolsonaro ouve o hino nacional em visita a terras indígenas, no Amazonas (Foto: Marcos Correa/Divulgação)

"Agora eles são discriminados, sabe por quem? Pelo europeu que não compra o produto dele. Então, enquanto a nossa população não entender realmente como é que é esse jogo fica dando pancada em mim direto, como se quisesse algo de ruim no Brasil. A nossa independência está lá", afirmou o presidente ao criticar organizações do terceiro setor que atuam na região. "Duas querem fazer na sua propriedade o que o fazendeiro faz na do lado, uma não quer. Obviamente a gente sabe fazer a leitura do que acontece ali, a influência do Conselho Indigenista Missionário, ONG estrangeira", disse.

O presidente visitou pela primeira vez duas terras indígenas na Amazônia como chefe de Estado na última quinta-feira (29/5), quando inaugurou uma ponte de madeira na Terra Indígena Balaio sob protestos de líderes ianomâmis. A área fica numa região onde foram encontradas grandes reservas de nióbio – minério que Bolsonaro regularmente defende o valor em discursos sobre as riquezas da Amazônia que o Brasil deveria explorar.

Garimpo ilegal

"Não aceitamos a legalização de atividades mineradoras em nossas terras. Esta ação mineradora, entendemos que não trará beneficio satisfatório para nenhum de nós indígenas ianomâmis", disseram lideranças ianomâmis em Maturacá, em carta enviada a Bolsonaro no dia 15 de maio. Um dia antes da visita do presidente, garimpeiros que exploravam ilegalmente terras dos indígenas munduruku no Alto Tapajós, no Pará, dispararam contra uma comunidade munduruku e incendiaram a casa de uma liderança. 

Segundo líderes indígenas regionais, representados pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), nenhuma outra liderança foi convidada para qualquer diálogo com Bolsonaro. Eles acusam o presidente de ter priorizado agenda com líderes autoproclamados como forma de “preparar palanque para fotos e vídeos de sua campanha eleitoral" para as eleições de 2022.

"Mesmo a FOIRN sendo a instituição que há mais de três décadas trabalha em prol de políticas públicas para os povos da região, não fomos incluídos na agenda e sequer convidados para qualquer diálogo com o presidente da República a respeito destes planos de gestão e outros temas de nosso interesse", disse a federação em nota.

Atualmente, o Congresso Nacional discute a PL 490, defendida pelo governo. Se aprovada, a lei liberará a mineração comercial e a agricultura em terras indígenas. O texto está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde já recebeu parecer favorável a sua aprovação pelo relator da proposta.

REDAÇÃO GLOBO RURAL E REUTERS

Fonte :  GLOBO RURAL

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