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POLÍTICA – Agro merece a mesma atenção dos caminhoneiros, dizem deputados

Parlamentares discutiram dificuldades de acesso ao crédito rural com executivos da indústria de máquinas agrícolas

caminhos da safra - soja - porto - rodovia - máquinas agrícolas - bahia - Chapada Diamantina (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)Governo anunciou pacote de medidas para os caminhoneiros (Foto: Fellipe Abreu/Editora Globo)

Deputados da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) reivindicaram que o governo federal tenha com o agronegócio uma atenção semelhante à manifestada em relação aos caminhoneiros. Foi esse o tom das declarações feitas depois da reunião semanal do colegiado, durante almoço da bancada ruralista nesta terça-feira, em Brasília (DF).
“É um segmento importante. A produção é escoada por rodovias. E à medida que o setor está se organizando, o governo anuncia uma medida que, é paliativa, não estruturante. E outros setores, como os arrozeiros e outras cadeias, esperam por um gesto do governo”, protestou o deputado Zé Silva (SD-MG), vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária.
Nesta terça-feira (16/4), o governo federal anunciou uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltada para caminhoneiros autônomos. O total alocado é de R$ 500 milhões, com a possibilidade de contratação de R$ 30 mil por operação. De acordo com o governo, só pode contrair o financiamento quem tiver até dois caminhões por CPF.

Foi anunciado também um investimento de R$ 2 bilhões em melhorias de infraestrutura rodoviária. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, destacou que uma das prioridades é a conclusão da BR-163, por onde os grãos produzidos em Mato Grosso são levados para os terminais no Norte do Brasil.
“Quando o governo anuncia medidas para segmentos isolados, nossa posição é pela adoção de medidas estruturantes, que promovam a integração dos setores da cadeia produtiva. Medidas anunciadas a conta gotas”, acrescentou Silva.
O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), avaliou que o incentivo aos caminhoneiros visa dar a eles um fôlego até que a economia volte a se recuperar e eles consigam cumprir seus compromissos. Essa “compreensão”, diz ele, deveria valer também para o agronegócio.
“Já teve compreensão em relação aos caminhoneiros. Essa alternativa tem que ser trazida também para o agro. É isso que nós queremos. Nesse momento, é preciso ter um fôlego e uma solução adequada”, disse Moreira.

Moderfrota Um dos assuntos discutidos foi a escassez de recursos para o crédito rural direcionado, especialmente o Moderfrota, para compra de máquinas e equipamentos agrícolas. Na semana passada, o BNDES comunicou a suspensão dos financiamentos do programa na modalidade com juros de até 7,5% ao ano, para quem fatura até R$ 90 milhões por ano. O motivo foi o fim dos recursos.
“Mesmo com o consumo reduzido das famílias no Brasil, não se tem crédito para o agronegócio no Brasil. É uma contradição”, protestou Alceu Moreira.
Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estiveram reunidos com os membros da bancada ruralista. O presidente do Conselho da Abimaq, João Carlos Marchesan, reiterou que a indústria vem alertando o governo sobre a falta de recursos do Moderfrota desde o final do governo Michel Temer, na época da transição.
Marchesan informou que, na quarta-feira (17/4), deve conversar sobre o assunto como o Ministério da Economia. A entidade pleiteia um crédito suplementar de R$ 2 bilhões para a demanda até o final do Plano Safra 2018/2019, em 30 de junho.
“Se não acontecer, as revendas deixarão de pagar as fábricas, as fábricas deixarão de produzir e poderão até demitir. E quando vier o novo Plano Safra, em primeiro de julho, os produtores voltarão a ter acesso a crédito, mas as fábricas não estarão preparadas para atender a demanda”, alertou Marchesan.

POR REDAÇÃO GLOBO RURAL

Fonte : GLOBO RURAL

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