Polícia Federal prende indígenas e agricultores em operação no RS

Ofensiva combate arrendamento e venda de terras na Região Norte.
Em janeiro, o Teledomingo, da RBS TV, mostrou denúncias do esquema.

Do G1 RS

A Polícia Federal deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira (27) contra crimes de arrendamento e venda de terras indígenas em Getúlio Vargas, no Norte do Rio Grande do Sul. Estão sendo cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em toda a região. Até as 8h30, cinco prisões estavam confirmadas.

Entre os presos estão índios e agricultores. As buscas ocorrem em Getúlio Vargas, mas os suspeitos serão levados para a sede da Polícia Federal em Passo Fundo, também na Região Norte do estado.

Teledomingo mostrou denúncias
Em janeiro deste ano, o Teledomingo, da RBS TV, mostrou denúncias sobre arrendamento de terras indígenas, o que é proibido por lei, feitas pelo procurador Rodinei Candeia ao Ministério da Justiça(veja o vídeo).

Segundo ele, a prática é comum e generalizada na Região Norte do estado. “As áreas onde não há arrendamento é que são a exceção", disse o procurador à epoca.

A Polícia Federal investigou o esquema e ouviu uma índia, considerada importante testemunha, que contou que os índios recebiam alimentos como pagamento pelo arrendamento das terras.

Quatro agricultores e um índio de Cacique Double, na Região Norte, são acusados de envolvimento em arrendamento de terras em uma aldeia da cidade. O cacique Valdir Ranke, que está entre os acusados, nega os arrendamentos e diz que existiam parcerias com os brancos. O crime é de usurpação de bens da união, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão.

Entenda o conflito
Em 2004, um grupo de índios, que vivia em uma aldeia em Cacique Doble, na Região Norte do Rio Grande do Sul, acampou em terras de agricultores. Segundo eles, essas terras pertenciam aos ancestrais guaranis. A Fundação Nacional do Índio, Funai, analisa a área para demarcação.

Na Região Norte do Rio Grande do Sul, 320 famílias vivem em uma área de mais de 4 mil hectares, plantando milho, trigo, erva-mate e eucalipto. Entretanto, elas não sabem até quando vão permanecer no local.

Desde então o embate acompanha a vida de índios e agricultores. No total, 45 mil hectares de terras são disputadas em cidades gaúchas, o que equivale a aproximadamente 45 mil campos de futebol.

Fonte: G1