Pode faltar carne

Os consumidores devem se preparar. Se a greve dos fiscais agropecuários continuar por mais tempo, poderão faltar produtos básicos nas mesas dos brasileiros, como carnes bovina e de frango. Ontem, os principais frigoríficos do país informaram que tendem a parar as linhas de produção em dois ou três dias. São os fiscais que concedem autorizações para o abate e o transporte da carne. Eles estão de braços cruzados desde a última segunda-feira, pressionando por aumentos de salários e pela reestruturação de carreiras.

As indústrias asseguraram que, com a paralisação, não conseguem realizar os abates e o escoamento da produção até os supermercados e os portos de exportação. "Algumas empresas já estão advertindo que, se não houver interrupção imediata (do movimento grevista), podem parar linhas de produção", disse Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef). "O que nos preocupa muito é a possibilidade de nós vivermos o caos. Nós estamos falando de desabastecimento no mercado interno e impacto nas exportações brasileiras", acrescentou um executivo de uma grande empresa do setor de aves e suínos, que pediu para não ser identificado.

Acordos

Segundo esse executivo, quando um fiscal deixa de cumprir as suas tarefas, ele começa a entupir toda a cadeia produtiva. "Se eu não consigo tirar o produto da fábrica, não consigo tirar animal do campo e das granjas. Tenho que parar os abates. Complica toda a cadeia", acrescentou. "Felizmente, o abate e a produção de carnes ainda não parou. Estamos confiando que nada vai parar. O diálogo com os dois lados é permanente", disse Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs).

Ministério da Agricultura informou, por meio de nota, que recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar limitar a greve dos fiscais agropecuários e assegurar o trabalho de pelo menos 70% deles. O ministério anunciou que também está temporariamente autorizando estados e municípios a realizarem ações de defesa e fiscalização agropecuária, baseado em um decreto presidencial assinado em julho, em meio a outras greves de fiscais. A transferência das ações, do ministério vai ocorrer por meio de convênios, mas o governo federal não informou o prazo para a assinatura dos convênios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já está recorrendo a esse expediente para liberar mercadorias, sobretudo medicamentos, em portos e aeroportos.

» Dados do PIB

ameaçados

A greve dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderá atrapalhar a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, marcada para 31 de agosto. A princípio, mesmo com boa parcela dos servidores sem trabalhar, o órgão mantém o anúncio. "Porém, poderá ser necessário utilizar dados de outras instituições para fechar os números", admitiu a presidente do IBGE, Wasmália Bivar. Segundo ela, a publicação ocorrerá mesmo sem os dados fechados de desemprego de junho, que não foram conhecidos porque as informações referentes ao Rio de Janeiro não puderam ser apresentadas. "O grosso das informações do PIB já está disponível e vamos divulgar as contas integralmente", disse. A paralisação no instituto já dura um mês e meio.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF