PNCF como forma de oportunidade e empoderamento da mulher rural

O protagonismo da mulher do campo não se limita somente a um dia. Com esse pensamento, e levando em consideração o empoderamento feminino, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) participa da campanha regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), #Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos. Além disso, 2018 é considerado o Ano Internacional da Mulher Rural.

A fim de parabenizar essas guardiãs das sementes e do conhecimento tradicional, que contribuem para a segurança alimentar e para o desenvolvimento sustentável, esta semana, a Sead apresenta a história da força e da coragem das mulheres da Família Pedrosa. Em 1979, a família foi morar no estado do Mato Grosso do Sul, no município de Ivinhema, localizado a 288 km de distância da capital do estado. O motivo da mudança foi a oportunidade de trabalhar em uma lavoura de café em regime de parceria.

Na época, o pai, Agrinaldo, mesmo com as quatro filhas pequenas sempre ensinou o trabalho no campo. Desta forma, as meninas aprenderam a executar as várias atividades da propriedade, aprenderam o manejo da terra e foram as principais colaboradoras dos pais. Com o passar dos anos, as filhas concluíram o ensino médio e uma delas se graduou em Tecnologia em Agroecologia e posteriormente, realizou duas especializações.

Entretanto, em 2009, a vida dessas mulheres mudou de forma brusca com o falecimento do pai, que há tempos estava doente. Foi um período muito difícil para a família Pedrosa, agora composta apenas por mulheres. Muitas dúvidas surgiram. Ir morar na cidade ou permanecer no campo? A terra que moravam não pertencia a elas e o proprietário tinha colocado o sítio para vender à época. O que fazer?

Foi então, que no início de 2011, veio a solução. As irmãs conheceram o Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Elas buscaram mais informações e resolveram fazer a proposta ao proprietário do sítio que moravam de aquisição da terra por meio do PNCF. O acordo foi aceito e a partir disso iniciou-se a corrida para a elaboração do projeto e organização dos documentos necessários para dar entrada ao processo de compra.

As três irmãs decidiram criar uma associação entre elas, chamada Associação Familiar Pedrosa (ASFAP) para darem entrada à linha de Combate à Pobreza Rural. No município de Ivinhema, o projeto das irmãs foi o primeiro a ser aprovado. Ninguém tinha conhecimento do seu funcionamento e operacionalização nem assistência técnica e extensão rural (Ater).

E em maio de 2011, saiu o recurso para pagamento da terra. Finalmente o sítio que moravam há 37 anos agora passava a ser da família Pedrosa. Uma área total de 11 hectares.  Com o recurso destinado ao investimento foram realizadas melhorias no sítio como: cercamento da área de pastagem, reforma de pastagem, curva de nível, construção de sala de ordenha, construção de poço artesiano, aquisição de motocultivador, instalação de tela para cobertura da horta, entre outras.

A escolha de produção foi o cultivo de urucum, pecuária leiteira e hortaliças. Os projetos estão em pleno desenvolvimento e hoje, garantem renda mensal e anual consideráveis às irmãs que trabalham de forma conjunta.

A produção do urucum é comercializada in natura para uma empresa do estado de São Paulo, sendo que uma parte é reservada ao processamento do corante natural, que é comercializado na feira livre municipal de Ivinhema da qual elas participam. O leite é transformado em queijo, requeijão e doce para consumo. As hortaliças são produzidas de forma agroecológica e garantem uma vida saudável para quem produz e para quem consome sem causar danos nocivos ao ambiente.

Ainda existe a criação de aves para a produção de carne e ovos e um pequeno tanque para a criação de tilápias para consumo próprio.

As hortaliças produzidas (alface, couve, cebolinha, salsa, tomate cereja e outros) são comercializadas de forma direta ao consumidor em forma de delivery, na feira livre municipal e pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Ademais, as irmãs Rosangela, Roseneide e Rosemeire são portadoras da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) e já tiveram acesso aos recursos desse programa para adequação do sistema de produção de hortaliças. Elas são participantes da Associação de Produtores Orgânicos do Mato Grosso do Sul e da Rede de Agroecologia (Apoms).

“A terra em nossas mãos é autonomia. Nela temos a liberdade de plantar e colher, gerando vida, renda e dignidade. Somos mulheres! Somos capazes!”, comenta Rosângela Pedrosa.

Representação

A Sead tem uma representação da pasta em cada estado da federação e no Distrito Federal, são as chamadas Delegacias Federais do Desenvolvimento Agrário. Através da delegacia, o agricultor pode conhecer cada uma das políticas públicas pessoalmente. É a interlocução entre as entidades de governo e as iniciativas privadas.

Para a delegada substituta da DFDA-MS, Adriana Aparecida Mansano Rosa, a força e a coragem da mulher rural deve ser exaltado. “Se há dificuldade para nós aqui do meio urbano, imagina para as trabalhadoras rurais? Temos uma luta contínua. Porque muitos entendem que a mulher no meio rural é responsável somente pelos afazeres domésticos, cuidando dos filhos, e a mão de obra da mulher é sempre vista como “ajuda”, ela era invisível. Então, com o passar dos anos, as políticas públicas vieram dar evidência para ao trabalho da mulher do campo, tanto que na Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), tivemos uma grande conquista, o nome da mulher agora tem que ser inserido, antes só aparecia o nome do homem. Foram criadas políticas públicas próprias para as mulheres, o Pronaf mesmo, tem uma linha somente para elas.”

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário

Ascom Sead

Fonte : MDA

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