Plataforma reúne dados de restauração, reflorestamento e regeneração natural no Brasil

Financiado pelo governo alemão e organizado pela Coalizão Brasil, iniciativa pode auxiliar o país a atingir as metas do Acordo de Paris

MARIANA GRILLI

09 MAR 2021 – 15H51 ATUALIZADO EM 09 MAR 2021 – 16H4

sos-mata-atlantica-floresta (Foto: Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica - Brasil Kirin)

A Mata Atlântica, principal área de projetos de restauração, conta com cerca de 62 mil hectares restaurados (Foto: Centro de Experimentos Florestais SOS Mata Atlântica – Brasil Kirin)

Dados sobre restauração, replantio e regeneração natural de florestas no Brasil estarão disponíveis para consulta pública por meio de uma plataforma inédita, lançada nesta terça-feira (9).

Financiado pelo governo alemão, por meio de edital, e organizado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com apoio do World Resources Institute (WRI), o Observatório da Restauração e do Reflorestamento tem o objetivo de integrar, qualificar e reportar a situação da restauração de vegetação nativa e silvicultura no Brasil.

A iniciativa une informações de satélites com dados de projetos executados em campo, tanto por órgãos de governo nas diferentes esferas, quanto coletivos, como o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e Aliança pela Restauração na Amazônia.

Apesar de os dados já estarem ao dispor dos interessados, Marcelo Matsumoto, especialista do WRI, esclarece que estão em processo de construção e podem estar subestimados, face à pluralidade de ações de restauração praticadas nos diferentes biomas. “Essa é a primeira vez que conseguimos trazer esses dados para o Brasil inteiro, mesmo que os dados, a princípio, sejam baixos”, pondera.

Atualmente, a ferramenta calcula 79,13 mil hectares de restauração, 10,99 milhões de hectares em regeneração natural e 9,35 milhões de hectares de reflorestamento. A Mata Atlântica, principal área de projetos de restauração, conta com cerca de 62 mil hectares restaurados. Já a maior concentração de regeneração natural é na Amazônia, em 9,6 milhões de hectares.

Matsumoto enfatiza que se trata de um instrumento colaborativo, em que dados de projetos serão inseridos com o passar do tempo. No entanto, para isso, WRI e Coalizão estão captando novos recursos para dar continuidade ao projeto.

Ele também adiciona que o Observatório pode ser usado como uma ferramenta de fiscalização, por fornecer informações sobre as atividades, como qual trabalho é executado, por quem e onde. Além disso, possibilitará a conferência se as áreas permanecerão restauradas ao longo dos anos. “Lógico que órgãos como Ibama e ICMBio podem trazer essas informações ao banco de dados e mostrar que a compensação ambiental está sendo executada”, afirma.

Márcio Macedo, do Departamento de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), considera a ferramenta importante para instituições financeiras, principalmente no que diz respeito a políticas públicas que possibilitem o pagamento por serviços ambientais e ações para reverter as mudanças climáticas.

“A utilidade é operacional, vai nos ajudar no trabalho de análise e acompanhamento. A plataforma permite a reunião de várias informações, como a efetividade mesmo depois dos projetos, transparência do recorte territorial, e alcance nacional da restauração”, e complementou que o Observatório corrobora com o cumprimento do Código Florestal e auxilia para o cumprimento das metas brasileiras do Acordo de Paris.

Fonte:: Globo Rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *