Plantio oficial da safra de arroz é aberto em clima de otimismo no Rio Grande do Sul

Preocupados com erros do passado, produtores aproveitaram a presença de autoridades para pedir medidas de apoio à comercialização da próxima safra

Ricardo Cunha | Mostardas (RS)

Ricardo Cunha/Canal Rural

Foto: Ricardo Cunha/Canal Rural

Autoridades participaram da abertura oficial do plantio de arroz em Mostardas

Diferente de anos anteriores, os produtores do Rio Grande do Sul começaram no sábado, dia 5, o plantio oficial da safra de arroz em um clima de otimismo. O evento ocorreu no litoral sul do Estado, em Mostardas, onde se produz o grão com mais qualidade do país. Na cidade, produtores e autoridades subiram na plantadeira para festejar o começo do novo ciclo.

– Tem tudo para ser um ano bom, porque estamos com sobra de água, que é um dos principais gargalos da lavoura orizícola do RS. Vamos plantar um milhão e cem mil hectares e chegar a uma colheita próxima a oito milhões e meio. Uma colheita cheia nos preocupa bastante, porque sempre o passado nos ensinou que grandes colheitas, grandes problemas – disse Francisco Schardong, presidente Comissão do Arroz da Farsul.

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Preocupados com os erros do passado, os produtores aproveitaram a presença das autoridades para pedir medidas de apoio à comercialização da próxima safra. Com o preço da saca de arroz negociado a R$ 33,50, os agricultores não querem que os valores caiam muito na hora da colheita, que deve iniciar em fevereiro. Para isso, defendem da continuidade do programa de exportações.

– A exportação vem escoando a produção gaúcha. Nós temos um problema de competitividade com os nossos irmãos do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai – que tem aumentado sua produção visando o mercado brasileiro. Eles tem custos infinitamente mais baixos que os brasileiros e o nosso mercado é tão sensível que qualquer 50 mil toneladas , 100 mil toneladas a mais, que aparantemente não representaria tanto, acaba incomodando – explicou Henrique Dornelles, presidente da Federarroz

A carga tributária, outra preocupação, também foi discutida. Representando o governo do Estado, o presidente do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Claudio Pereira, assegurou uma política fiscal para a cadeia.

– Aumentamos o crédito presumido para a indústria gaúcha fortalecendo nossa indústria e aumentando a competitividade frente à guerra fiscal com outros Estados, o que vai melhorar o escoamento da produção gaúcha e que também impõe limites ao arroz importado. As indústrias vão poder se beneficiar desses incentivos fiscais se elas importarem no máximo 10% de arroz de fora do Brasil. Se estabelece uma cota de importação a partir da questão fiscal – disse

Os arrozeiros gaúchos acreditam ainda que a soja continuará ganhando espaço em regiões onde tradicionalmente se cultivava arroz. No ano passado, a lavoura orizícola perdeu 280 mil hectares para a soja.

– Eu tenho certeza que pelos preços da soja nós vamos ter uma migração, não só os 280 mil hectares, mas até passando  disso – falou Schardong.

De olho nesse novo mercado, uma empresa norte-americana com tradição no sistema de irrigação por mangueiras para culturas plantadas em camalhões aproveitou a abertura do plantio para lançar uma tecnologia que pode ser usada tanto pelo arroz, quanto pela soja.

– A principal vantagem que o pessoal tem visto lá nos Estados Unidos e aqui no Brasil é redução do custo de mão de obra, principalmente a redução do custo de irrigação em lavoura, e uma economia do uso de água em torno de 25% a 30%. É uma tecnologia sustentável – explica Luciana Leitzke, engenheira agrônoma.

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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