Plantio de trigo no RS começa com perspectiva de área maior

Semeadura da principal cultura da safra de inverno ganha ritmo a partir da segunda quinzena de maio

Diogo Zanatta / Especial
Espaço da cultura pode crescer a reboque das cotações elevadas e da necessidade de renda do produtor, após perdas no verãoDiogo Zanatta / Especial

O retorno da chuva ao Estado é uma espécie de sinal verde para a largada no plantio do trigo, principal cultura de inverno. Os trabalhos ganham força a partir da próxima semana, com a região das Missões sendo uma das primeiras a semear. Indicadores vindos do mercado trazem a perspectiva de avanço de área. O primeiro levantamento de safra da Emater saí só em junho, mas diante dos fatores atuais, a avaliação é de que haja aumento em relação a 2019, quando somou 0,76 mil hectares (veja abaixo).

Gerente comercial Latam da Biotrigo Genética, Fernando Wagner relata aumento na procura por sementes de trigo em relação ao ano passado. Mesmo nas Missões, em que a base de comparação é alta, há avanço, entre 5% e 8%, conforme o município. O maior percentual de crescimento está na Região Sul: 15%.

– Essa chuva dá ânimo, e o agricultor começou a se movimentar. O fluxo de compra de semente aumentou bastante nos últimos dias – observa Wagner.

As cotações em patamares históricos são um dos estímulos. Avaliação do Cepea-Esalq aponta continuidade de elevação em razão da baixa oferta no mercado brasileiro. E importações estão mais caras em razão da variação cambial – o Brasil não é autossuficiente e precisa trazer produto de fora. O gerente comercial da Biotrigo lembra que o valor do cereal no país é influenciado pela Argentina, principal fornecedor. E os argentinos, por sua vez, sofrem influência da Rússia, onde dificuldades climáticas se somam à potencial redução de exportação, por conta da pandemia.

– Isso acende luz verde para a Argentina, que começa a olhar outros mercados, e luz amarela para os moinhos brasileiros – pondera Wagner.

Diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri acrescenta que, além do fator preço, as perdas com a safra de verão são outra razão que poderá levar os produtores gaúchos a apostarem no trigo.

– A percepção é de que investirão para tentar recuperar a renda perdida no verão. Quanto ainda é uma incógnita – reforça Tarcísio Minetto, economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro).

Isso tudo, claro, se o fator restrição de acesso ao crédito não atrapalhar.

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