Plantio de soja continua atrasado

Com chuvas mais tardias este ano que em 2016, o plantio de soja desta ciclo 2017/18 ainda engatinha e está atrasado ante a temporada anterior. Esse atraso ainda não traz nenhuma grande preocupação, mas reforça as estimativas de que a produtividade das lavouras será menor.

Levantamento da consultoria AgRural divulgado na sexta-feira passada apontou que apenas 0,3% da projeção de 34,5 milhões de hectares havia sido semeada. A AgRural pontua que, um ano atrás, o plantio estava mais acelerado, mas os levantamentos da consultoria só começaram na semana seguinte – em 29 de setembro, 5% da área de 2016/17 estava semeada.

"O plantio está bem atrasado em relação a 2016, mas temos de lembrar que no ano passado o clima foi mais que perfeito para a semeadura", avaliou o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, reforçando que o clima projetado para o plantio neste ano aponta para "uma normalidade". Em 2016, as chuvas vieram no fim de agosto, abrindo espaço para uma aceleração.

"O plantio não vai ser tão cedo quanto em 2016, mas nada como ocorreu em 2015", disse Santos.

Em decorrência de um clima menos favorável, as primeiras projeções mostram redução de produtividade – o que, mesmo com o aumento de área esperado, deverá levar a uma produção menor. Segundo o Rabobank, a área com a oleaginosa deverá aumentar 2,4%, mas a produção deverá cair 6,1%, para 107 milhões de toneladas.

Os dois principais Estados produtores da oleaginosa – Mato Grosso e Paraná – já iniciaram o plantio, mas os trabalhos ainda são incipientes. Em Mato Grosso, o plantio cobriu apenas 0,15% dos 9,4 milhões de hectares esperados para a safra 2017/18, de acordo com os últimos números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo período da safra 2016/17, o plantio estava em 1,2% dos 9,4 milhões de hectares semeados com a cultura. Para a safra 2017/18, a projeção do Imea é que sejam produzidas 30,5 milhões toneladas no Estado do Centro-Oeste, 2,08% a menos que na temporada 2016/17.

Nas fazendas da Terra Santa, uma das maiores empresas dedicadas à produção de soja, milho e algodão do país – e que tem produção exclusivamente em Mato Grosso -, os trabalhos começaram no dia 20. Mas, segundo o presidente Arlindo Moura, esses primeiros dias foram apenas para regulagem das máquinas. O planejamento da companhia prevê que aproximadamente 70 mil hectares sejam plantados até 15 de outubro e a finalização dos 104 mil hectares deve ocorrer até o fim do mês

De acordo com levantamento da AgResource, o padrão de chuvas no Brasil deve se estabilizar em meados de outubro, quando o ritmo de plantio também deve aquecer. "Não há ameaças generalizadas para o período de plantio da soja e milho", avaliou a consultoria.

Para o Paraná, segundo os últimos números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado, o plantio está em 1% dos 5,4 milhões de hectares projetados para a oleaginosa. A projeção do órgão é que serão produzidas 19,5 milhões de toneladas, 2% a menos que no ciclo 2016/17, apesar de uma área 3% maior.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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