Plano Safra gaúcho terá R$ 2,8 bi em crédito

 

Minetto ressalta juro vantajoso do crédito do Plano Safra gaúcho

Minetto ressalta juro vantajoso do crédito do Plano Safra gaúcho

Os produtores rurais do Rio Grande do Sul já podem contar com a liberação de R$ 2,8 bilhões para financiamento, previsto no Plano Safra 2015/2016. O anúncio foi feito na tarde de quinta-feira, no Palácio Piratini, pelo governador José Ivo Sartori e pelos secretários Ernani Polo, da Agricultura e Pecuária; Tarcísio Minetto, do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo; e Fábio Branco, do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. Representantes das instituições bancárias do Estado também participaram da divulgação do plano.
Do montante ofertado, o Banrisul aporta a maior fatia (R$ 1,9 bilhão). O restante será disponibilizado pelo BRDE (R$ 500 milhões) e pelo Badesul (R$ 400 milhões). Segundo o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, o valor anunciado no Plano Safra do ano passado, de R$ 2,74 bilhões, foi integralmente emprestado. "E o banco ainda colocou mais R$ 600 milhões", acrescentou. O secretário da Agricultura indica que existe a possibilidade de que o valor anunciado seja elevado. "Esse valor foi o máximo que conseguimos oferecer. ?Talvez algum valor a mais que puder ser incrementado vai ser feito um esforço das instituições nesse sentido", disse Polo?.
Os recursos serão destinados para financiamento de custeio, investimento e comercialização, com taxas de juros que variam de 2,5% a 12% ao ano, dependendo da modalidade de crédito. As linhas de crédito atendem agricultores familiares, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pessoas jurídicas, cooperativas, agroindústrias, beneficiadores e cerealistas. Tantos nas linhas de investimento quanto nas de custeio, as menores taxas de juros, de 2,5% a.a., estão atreladas ao Pronaf. "Mesmo com aumento da taxa de juros, o custo ainda está bem abaixo se comparado com a Selic e a inflação", dimensiona Minetto.
Na avaliação da Fe?traf-RS, o plano não contempla as expectativas da agricultura familiar. "Além de não ter a participação das entidades representativas da agricultura familiar, a exemplo do que ocorria nos anos anteriores, na construção do plano, ele não detalha o aporte de recursos específicos para os agricultores familiares. Ho?je, no anúncio do plano, só ouvimos falar da importância do agronegócio", lamenta a coordenadora da entidade, Cleonice Back. Para o tesoureiro-geral da F?etag, Sérgio de Miranda, o valor é importante, mas há preocupação sobre o quanto desses valores será destinado à agricultura familiar. "O Plano Safra estadual, no que se refere à agricultura familiar, é uma complementação dos recursos do pl?ano sa?fra nacional. Tem agricultores que conseguem acessar mais um pouco de crédito em linhas voltadas para programas específicos", comenta. "Continuamos ainda na expectativa para sabermos de fato quanto será disponibilizado para essa faixa."
Como o produtor está pressionado pela alta de custos, o financiamento tem um peso importante para o agronegócio. Miranda comenta que as entidades do setor primário estão apurando o percentual de aumento das despesas no campo, portanto, não números exatos, mas a estimativa é de que o custo de produção da safra tenha aumentado de 12% a 15%, dependendo da atividade.
O acréscimo de 2,19% no volume anunciado para o Plano Safra 2015/2016 não cobre integralmente a elevação dos custos produtivos, alerta o deputado estadual Elton Weber (PSB). "É positiva a elevação de recursos, mas temos que dizer que esse percentual não acompanha a elevação de custos nas propriedades familiares gaúchas", afirma. Weber defende que, no próximo ano, o governo estadual apresente uma cifra mais "encorpada", que permita ao produtor avanços não somente na produção e produtividade, mas também na melhoria da infraestrutura da sua propriedade.

Previsão para safra 2014/2015 é de 206,3 milhões de toneladas

A expectativa para a safra 2014/2015 é de colheita recorde. Segundo o 10º levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é de produção de 206,3 milhões de toneladas. O número é 6,6% maior que na safra anterior (12,7 milhões de toneladas a mais).
O destaque do período foi o milho 2ª safra, que apresentou avanço de 1,8 milhão de toneladas frente ao levantamento de junho. "Cerca de 39% da safra brasileira está sendo realizada pelo milho 2ª safra", disse João Marcelo Intini, diretor da Conab. O milho 2ª safra apresentou bom desenvolvimento, diz Intini, pelo ganho de produtividade, e tem avançado por ter aproveitado uma "janela temporal que reuniu boas condições de clima e uso de tecnologia". A previsão para o milho 2ª safra é de 51,5 milhões de toneladas, 6,5% mais que na safra anterior.
O diretor da Conab afirmou que a área de plantio das principais culturas na safra 2014/2015 é 0,8% maior do que no período anterior 2013/2014. Segundo Intini, "estamos utilizando melhor a área plantada".
A expansão da safra também acontecerá no Rio Grande do Sul, segundo a Conab. A projeção é de uma produção de 32,6 milhões de toneladas no Estado, volume 13,8% maior em relação ao último período. O crescimento será baseado na produtividade, já que a área plantada ficará 0,4% menor, limitando-se aos 8,4 milhões de hectares.
Entre as culturas, um dos destaques fica por conta do trigo, cuja produtividade praticamente dobrará. Na safra 2014/2015, a previsão é de 2,6 quilos do grão por hectare, crescimento de 97,8% na comparação com a safra passada. No total, a produção de trigo deve crescer 58,6% no Estado, atingindo 2,4 milhões de toneladas. A expansão será acompanhada também no volume das colheitas da soja (+14,9%), do milho (+8%) e do arroz (+6,5%). A única cultura relevante que deve apresentar queda no volume é, também, a de menor produção no Estado. O feijão deve registrar diminuição de 14,5% na colheita da primeira safra, totalizando 56,1 mil toneladas, e nova queda de 7,3% na segunda, chegando às 34,6 mil toneladas.

Fonte : Jornal do Comércio

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