Plano Safra contará com R$ 115 bilhões

Governo ajusta taxas de juros e Farsul espera renegociação de dívidas

O Plano Safra, que será anunciado, amanhã, pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em Brasília, passa por modificações. Após a presidente se reunir, ontem, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, fontes do governo indicaram que as alterações referem-se especialmente aos juros dos diferentes programas. A expectativa é que a taxa de referência das operações caia de 6,75% para 5,5%. Em algumas linhas, esse percentual pode descer para até 5%. Além de ampliar recursos destinados a médios produtores e às cooperativas, o plano da agricultura empresarial deve fomentar os orgânicos. O estímulo era previsto para a Rio+20, mas o texto não ficou pronto. A versão final do plano passará pelo crivo da Fazenda e do Planejamento antes do anúncio de amanhã. O plano será detalhado por Mendes, sexta-feira, na Capital. Após o encontro, o governo confirmou que a agricultura empresarial terá R$ 115,2 bilhões para a safra, valor 7,4% superior aos R$ 107,2 bilhões do ciclo 2011/12.
Os produtores gaúchos esperam mudanças no seguro agrícola e a renegociação de dívidas. O campo quer um seguro que garanta não só o financiamento, mas a renda na propriedade. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, está descrente que isso seja possível já neste ano. Para ele, a cobertura seguirá restrita ao sinistro. Entretanto, ele aposta em elevação de verba, o que permitiria melhorar a cobertura. "O Estado ainda enfrenta os problemas deixados pela estiagem, que está com recursos hídricos escassos, sabe que isso também é importante." Sobre a renegociação, Sperotto não desiste. "Essa é uma esperança, de que tenha um alinhamento entre o Mapa e a Fazenda para resolver essa questão." O dirigente acrescenta que, ao renegociar, o governo estaria melhorando as condições de acesso a recursos disponibilizados. Isso, aliado ao cenário que está se desenhando, de redução de juro, apesar de tímida, é importante. "De nada adianta aumentar o volume de dinheiro se o acesso continua restrito. Assim continuará sobrando recurso." O dirigente observa que outro ponto aguardado e que será tratado com atenção caso seja anunciado, é a intenção do ministro Mendes de regionalizar o plano.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, também esteve com a presidente Dilma para alinhar os detalhes do Plano Safra da Agricultura Familiar. Os programas e os projetos, bem como os juros, serão anunciados no dia 4 de julho. O certo até agora são os R$ 18 bilhões divulgados no Grito da Terra, em maio. A presidente também pediu ajustes, mas apenas no texto. Já os valores foram aceitos.
As expectativas para o pacote federal
– O plano da agricultura empresarial deve fomentar a produção orgânica no país e beneficiar de forma especial a classe média rural e as cooperativas;
– A tendência é de redução dos juros em diversar linhas. Em algumas delas, a taxa anual pode cair para até 5%. Hoje a taxa referencial é de 6,75%;
– A Farsul espera mudanças no seguro agrícola, bem como a expansão de verba para cobertura da produção agrícola;
– A renegociação das dívidas é apontada pela federação como essencial para que o produtor rural possa, efetivamente, se beneficiar dos recursos para custeio e investimento da safra.

Fonte: Correio do Povo

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