Plano Safra 2015/16 terá R$ 187,7 bilhões em recursos e juros de 8,75% ao ano

Colheita de soja em Carazinho (RS). Trabalhos estão em fase inicial, mas a maior parte das lavouras fecha o ciclo com chuva suficiente.

Colheita de soja em Carazinho (RS). Trabalhos estão em fase inicial, mas a maior parte das lavouras fecha o ciclo com chuva suficiente.

Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo

Autor: Igor Castanho – Agronegócio Gazeta do Povo (AgroGP)

O governo federal anunciou nesta terça-feira (02) o Plano Agrícola e Pecuário 2015/16. Em cerimônia realizada em Brasília, foi confirmado que o plano vai disponibilizar 20% a mais em recursos, chegando a R$ 187,7 bilhões. A taxa média de juros subiu de 6,5% ao ano para 8,75% anuais.

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Serão disponibilizados R$ 149,5 bilhões para o custeio e comercialização. Deste total R$ 96,5 bilhões serão com juros equalizados, um avanço de R$ 6,5 bilhões frente a última safra. Para os investimentos os recursos serão de R$ 38,2 bilhões.

Os médios produtores poderão captar 17% a mais neste ciclo, contando com um montante de R$ 18,9 bilhões em recursos e juros de 7,75% ao ano. Serão R$ 13,6 bi para custeio e R$ 5,3 bi para investimento.

A linha do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) contará com R$ 10 bilhões em recursos, com taxas de juros oscilando entre 7% ao ano e 8,75% anuais.

O seguro rural vai contar com orçamento de R$ 668 milhões para 2015. Será lançado um sistema integrado de informações para dar mais transparência ao programa, chamado de SIS Rural. “O produtor terá autonomia para escolher a seguradora com a qual vai negociar”, revelou a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu.

O financiamento de novos armazéns terá recursos de R$ 2,4 bilhões, com taxa de juros de 7,5% ao ano.

Ajuste contornado

Kátia Abreu disse que foi possível ampliar o plano mesmo com os cortes no orçamento federal. “O ajuste não se dá apenas com cortes, mas também com investimentos”, declarou. Para ela o aumento nos juros é compatível com a inflação vivida no país. “Não podemos pedir aos coordenadores do ajuste fiscal um juro negativo”, argumentou.

Cerimônia de assinatura do prêmio ocorreu nesta segunda-feira (2) em Brasília.

Um dos fatores que favoreceu o aumento do orçamento do plano foi o direcionamento integral dos recursos obtidos via Letras de Crédito de Agronegócio (LCA). Abreu disse que isso vai garantir aporte de R$ 30 bilhões para financiar o setor. Ela destacou o retorno gerando pelos investimentos no campo. “Para cada real investido na agropecuária o setor gera R$ 3 em valor adicionado”, apontou.

A presidente Dilma Rousseff declarou que o agronegócio “tem sido e continuará sendo prioridade no Brasil. ” Ela minimizou os reajustes na taxa de juros média do Plano. “Os juros serão realinhados sem comprometer a capacidade de pagamento dos produtores. ”

Dilma voltou a defender o ajuste nas contas públicas, e indicou que isso não limita o desenvolvimento econômico do país. “O ajuste fiscal não é o objetivo em si mesmo. Estamos construindo uma agenda de crescimento na qual esse plano é um dos instrumentos”, apontou.

Agenda estratégica

A presidente antecipou algumas ações que serão lançadas nas próximas semanas como parte da estratégia de incentivo ao setor. Uma das medidas será o anúncio de um novo plano de concessões. “Vamos favorecer a saída Norte do país, impulsionando a logística acima do paralelo 16”, declarou. Outro anúncio programado é um Plano Nacional de Exportações.

Por fim Rousseff apontou que há forte interesse na abertura de novos mercados para o agronegócio. Ela citou ações como a recente visita do primeiro ministro chinês e revelou que visitas aos Estados Unidos e Europa – programadas para o segundo semestre — terão o mesmo enfoque.




Fonte: Gazeta do Povo