Plano ABC: linhas de crédito com juros menores disputam preferência do produtor para investimentos no campo

Maior divulgação programa é apontada por especialistas como forma de aumentar procura

Plano ABC: linhas de crédito com juros menores disputam preferência do produtor para investimentos no campo Jerônimo Gozalez/Especial

Administradores da Granja Silvana utilizaram recursos para implantar projeto de integração lavoura-pecuáriaFoto: Jerônimo Gozalez / Especial

Vagner Benites

vagner.benites@zerohora.com.br

As vantagens no longo prazo tornam o Plano ABC o queridinho dos defensores da agropecuária de baixo carbono. São dois os benefícios principais: contribuir para aredução na emissão dos gases causadores do efeito estufa e fixar carbono no solo. Apesar de não terem o mesmo objetivo que o Programa ABC, diferentes opções de crédito com juros mais atrativos têm tido a preferência do produtor na hora de fazer investimentos.
O juro em torno de 2% ao ano do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é apontado como uma das razões da baixa popularidade para o crédito à produção de baixa emissão de carbono entre agricultores familiares.
Linhas como a do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, com taxa de 3,5%, e do Programa de Sustentação do Investimento, para financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas, com taxa de 4,5%, também ajudam a desviar a atenção do crédito com atrativo ambiental. Para o coordenador do Observatório ABC, Angelo Gurgel, a solução requer ações no curto, no médio e no longo prazos:

– A meta no curto prazo é reduzir a taxa do ABC. Se o plano é mais complexo, o juro tem de ser mais baixo para atrair o produtor. Para médio e longo prazo, a solução é o treinamento de técnicos agrícolas, agentes financeiros e dos próprios agricultores.
Na consultoria Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), a procura por auxílio na execução de projetos cresce desde 2011, segundo o sócio-diretor Davi Teixeira. Na avaliação do zootecnista, o programa precisa de mais divulgação.
– É preciso colocar o lado econômico à frente da mensagem. Se o produtor não ver onde terá vantagem no curto prazo, dificilmente investe no longo. Mas o bom do ABC é que as vantagens no curto prazo aparecem mesmo – comenta Teixeira.

VÍDEO: o gerente de mercado de agronegócios do Banco do Brasil, João Paulo comerlato, fala sobre o Programa ABC

No Rio Grande do Sul, a recuperação de pastagens representa 60% dos contratos assinados no Plano ABC. De acordo com dados do Observatório ABC, a média da capacidade de suporte de uma pastagem é de 0,4 unidade animal por hectare (UA/ha). Em área recuperada, chega a 1 UA/ha (que corresponde a um animal de 450 quilos).
– Onde o pasto é de baixa qualidade, o arroto do boi tem alta emissão de metano (também causador do efeito estufa). Com pasto de ótima qualidade em todo o ciclo, a emissão é menor – diz o coordenador nacional do Plano ABC, Elvison Ramos.

A aprovação do novo Código Florestal e a necessidade de adequar propriedades às regras podem fazer o Plano ABC chegar aos ouvidos do produtor, já que uma das linhas oferecidas se encaixa nas exigências,diz o gerente do mercado de agronegócios do Banco do Brasil (BB) no Estado, João Paulo Comerlato.No Rio Grande do Sul, as contratações estão mais concentradas na Fronteira Oeste e na Campanha, mas há expectativa de aumento na procura na região Central, além de Passo Fundo e de Santa Rosa.
Estímulo ao rodízio de culturas
Foi a busca de benefícios no longo prazo que atraiu os administradores da Granja Silvana, Mercedes de Echenique e Álvaro José da Silva, a elaborarem um projeto de integração lavoura-pecuária para a propriedade de 1,6 mil hectares,situada em Pedro Osório.
– Em 2009, já víamos que eram necessárias melhorias na base forrageira ofertada ao gado, para realizar a terminação e melhorar a qualidade alimentar das vacas de cria. Também achávamos que, em receita, a pecuária tinha condições de ocupar uma  percentagem maior – diz Mercedes.
Em 2012, com o plano aprovado e o crédito liberado, os administradores implantaram o plantio alternado de arroz, soja e pastagens em diferentes locais. Com isso, uma área recebe a lavoura de arroz por dois anos, seguida por soja e pastagens em outros períodos. A rotação propicia a recuperação do solo, com melhora dos índices de matéria orgânica.
Na Granja Silvana, o ciclo terá duração de oito anos. Ao final do período, Mercedes espera que todas as áreas estejam em melhores condições, inclusive com o controle de plantas invasoras. Já no curto prazo,com adubação e melhora nas pastagens, o ganho ocorreu na terminação dos animais. Em três anos, a pecuária tomou novamente a dianteira na geração de receitas da propriedade (80% contra 20% da agricultura em 2013, ante 50% a 50% do período anterior ao projeto).
– Ainda temos ajustes a fazer, mas o resultado econômico da propriedade já melhorou – diz Mercedes.

Fonte: Zero Hora

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