Pilgrim’s disputa ativos da BRF na Europa e Tailândia

A americana Pilgrim’s Pride, empresa de carne de frango controlada pela JBS, é uma das cinco interessadas que continuam na disputa para adquirir os ativos que a BRF pôs à venda na Europa e na Tailândia, disseram duas fontes ao Valor. A informação foi antecipada na quarta-feira pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Procurada, a BRF não comentou. A JBS não respondeu.

A Pilgrim’s foi uma das oito empresas que fizeram propostas não vinculantes pelos ativos da BRF na Tailândia e Europa, apurou a reportagem. Das oito, a BRF escolheu cinco para seguir no processo. Conforme o cronograma divulgado semana passada pela BRF, os interessados devem fazer suas ofertas vinculantes até 15 de dezembro. O banco Morgan Stanley assessora a BRF na venda dos ativos.

Segundo uma fonte, a Pilgrim’s não fez a melhor proposta, mas os valores podem ser alterados na oferta vinculante, se de fato for feita. Em relatório divulgado em julho, o BTG Pactual estimou que a BRF gastou US$ 463 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) nas aquisições que resultaram na plataforma que a companhia brasileira tem na Tailândia e na Europa.

Em teleconferência com analistas na quarta-feira, o executivo-chefe de operações da JBS, Gilberto Tomazoni, disse que a Pilgrim’s avalia aquisições. O executivo não revelou os alvos. "A Pilgrim’s tem olhado aquisições. É uma coisa que não depende de nós", disse Tomazoni, sustentando que as decisões da Pilgrim’s são independentes. Tomazoni preside o conselho de administração da empresa de frango, que tem ações listadas na Nasdaq.

No ano passado, a Pilgrim’s adquiriu, da própria JBS, a irlandesa Moy Park. Com isso, ingressou no mercado europeu de aves. Se vencer a concorrência pelos ativos da BRF, fortalecerá sua posição na Europa e chegará à Ásia, a região do planeta onde a demanda por carnes mais cresce.

Indiretamente, a aquisição dos ativos da BRF pela Pilgrim’s também fortaleceria a Seara, empresa brasileira de carne de frango controlada integralmente pela JBS.

Os ativos da BRF na Europa incluem uma rede de distribuição ampla que, antes da dona das marcas Sadia e Perdigão ser proibida de exportar carne de frango do Brasil ao continente europeu, tinha fundamental importância para a empresa.

Se a Pilgrim’s fizer a aquisição, a Seara poderá ampliar sua presença no mercado europeu. No terceiro trimestre, a participação do bloco europeu nas exportações já aumentou, disse Tomazoni, na teleconferência. No período, 14% das exportações tiveram como destino a Europa. No terceiro trimestre do ano passado, essa fatia foi de 11%. A BRF foi proibida de exportar para a União Europeia em abril.

Para a BRF, a venda casada das operações na Europa e na Tailândia é essencial, uma vez que as duas operações são interligadas. A carne de frango cozida produzida na Tailândia é quase que toda exportada para a Europa.

A venda dos ativos faz parte do plano da BRF para obter R$ 5 bilhões neste ano e assim reduzir seu elevado índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado), que atingiu 6,7 vezes em setembro. O objetivo da gestão Pedro Parente é reduzir esse índice para 4,35 vezes até dezembro.

Com a venda das operações na Europa, na Tailândia e também na Argentina, a BRF pretende angariar R$ 3 bilhões. Para completar os R$ 5 bilhões, a empresa aposta em medidas como a diminuição dos estoques (o que reduz capital de giro) e a antecipação de R$ 750 milhões em recebíveis.

Na quarta-feira, as ações da BRF subiram 1,6% na B3, a R$ 20,09. Na esteira da divulgação do balanço do terceiro trimestre, que foi considerado "excepcional" por analistas, as ações da JBS dispararam, liderando o Ibovespa com valorização de 15,7%, a R$ 11,40.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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