PIB do Rio Grande do Sul caiu 3,4% em 2015

 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul teve redução de 3,4% em 2015, com Valor Adicionado Bruto (VAB) de -2,7%. Este foi o pior resultado dos últimos 20 anos, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), divulgados na manhã de ontem.

A taxa de crescimento acumulado do ano só não foi pior graças ao desempenho da agropecuária, que avançou 13,6% em relação a 2014. "Se não fosse este setor, que deu uma contribuição positiva de 1,2%, a queda do PIB gaúcho poderia ter sido em torno de 4,5%", destaca o presidente da FEE, Igor Morais.

A indústria, por sua vez, teve uma queda significativa de -11,1%. O segmento de transformação foi o que mais sofreu com a crise da economia nacional, com baixa de 13,5% em seu desempenho, comenta o coordenador do Núcleo de Contas Regionais da FEE, Roberto Rocha. Enquanto no restante do Brasil, a indústria extrativa tem influência positiva no setor (tendo crescido 4,9%); no Rio Grande do Sul não é tão expressiva, além de ter seus produtos mais demandados para exportação, observa Rocha. Neste segmento, a queda foi de 5,2%, enquanto a construção amargou -6,6% de crescimento em seus resultados acumulados no ano.

Com a maior taxa negativa entre as grandes atividades, a indústria contribuiu com -2,3 pontos percentuais na queda do PIB do RS em 2015, ou 68% da taxa negativa. No setor de serviços (que enfraqueceu o desempenho em 2,1%), o comércio registrou o pior desempenho no Rio Grande do Sul, com taxa de -10,3%. "O grande destaque negativo do comércio foi a redução da venda de veículos em -27,9% em relação a 2014", sinaliza o Núcleo de Contas Regionais. Ele aponta o aumento do desemprego, a redução dos rendimentos reais e a deterioração das condições de crédito (com alta dos juros e aumento da inadimplência) como os principais fatores determinantes na queda desta atividade no Estado.

Também houve enfraquecimento na arrecadação de impostos, que foi 0,8% menor em 2015, frente ao ano anterior. "Isso está associado ao desempenho negativo da indústria de transformação – que é o segmento que mais arrecada – e também do consumo de energia elétrica, que diminuiu em relação a 2014", explica Rocha, lembrando que também ocorreu queda no consumo de combustíveis. A contribuição dos impostos na taxa acumulada ao longo do ano do PIB em 2015 foi negativa em 1,1%.

O presidente da fundação destaca que a queda no PIB gaúcho foi "levemente" menor que a do Brasil (-3,8%). Após seis anos de desaceleração da economia, a capacidade produtiva do País se esmoreceu, aponta Morais. "O segmento metal-mecânico (que supre a indústria de automóveis e de estrutura para a construção civil) foi o mais prejudicado pela restrição de crédito, aumento de juros e diminuição de poder de compra dos consumidores, e com ajuste de estoques." Na opinião do dirigente, em dois anos, a crise ainda deve afetar o setor de móveis, justamente pelo mesmo motivo. No setor serviços, apesar de o comércio ter caído menos no Brasil (-8,9%) que no Estado, com a exceção da administração pública, todas as demais atividades obtiveram taxas menores que as registradas no Rio Grande do Sul.

No Estado, o melhor desempenho foi no segundo trimestre de 2015 (0,6%), quando se concentra a safra de soja. "Entretanto, esse resultado foi incapaz de reverter a sucessão de taxas negativas acumuladas ao longo do ano, e também das acumuladas nos últimos quatro trimestres, observadas desde o quarto trimestre de 2014", comenta Rocha.

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Adriana Lampert

Fonte : Jornal do Comércio

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