PIB do agronegócio teria redução de 32% sem produção convencional, diz Farsul

Estudo da entidade que mostra impacto econômico dos dos diferentes sistemas é argumento contra item da reforma tributária que altera benefício fiscal de produtos químicos

29/07/2020 – 20h49minAtualizada em 29/07/2020 – 20h49min
GISELE LOEBLEIN

Levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) que aponta redução de 32% no valor do PIB do agronegócio gaúcho, em cenário hipotético de conversão total para um modelo sem uso de químicos, é um argumento que entra no debate da reforma tributária. Os números apresentados pela assessoria econômica da entidade tentam convencer o Piratini de que a proposta inicialmente apresentada, com alteração do benefício fiscal desses itens, teria efeito coletivo.

– O estudo mostra o porquê dos produtores adotarem o sistema convencional e, sobretudo, os benefícios que isso traz ao Estado. Se não se deve produzir dessa forma, temos de saber que a sociedade pagará a conta junto – pondera Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

Entre as comparações feitas, a de que seria necessário aumentar em 50% a área colhida de produtos sem agrotóxicos para se chegar a igual volume de produção do sistema convencional. E de que o faturamento cairia mais do que neste ano, quando houve efeito negativo da estiagem.

– O produtor não usa defensivos ou biotecnologia só porque acha simpático. É uma necessidade, não uma vontade – acrescenta Christian Lohbauer, presidente da CropLife, organização que reúne empresas do segmento.

O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, reforçou que trata-se de um dado sobre o impacto econômico:

– É uma demonstração sem objetivo de prejudicar ninguém, até porque representamos todos os produtores rurais. Quem achar que tem nicho de mercado para produzir orgânicos, que siga na sua seara. Quem usa o sistema convencional, que siga produzindo assim.

A redução de 10% no diferimento concedido sobre agrotóxicos acarretaria custo de produção adicional de R$ 1 bilhão ao ano, acrescenta o economista da Farsul. Favorável a ajustes na política tributária, a entidade vê na proposta inicial oneração do setor.

– No momento em que se tira o diferimento, tributa-se a produção – reforça Luz.

Outro item questionado é o aumento da alíquota do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens e Direitos.

Fonte: Zero Hora