PIB das flores atingiu R$ 4,5 bi em 2014, aponta estudo

Com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 4,5 bilhões, a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais do país movimentou R$ 10,2 bilhões no ano passado, quando gerou quase 190 mil empregos diretos e R$ 2,5 bilhões em impostos e contribuições.

Essas são algumas das conclusões de um amplo estudo sobre o segmento que será divulgado nesta terça-feira, em Holambra (SP), durante o 4º Seminário do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), com o objetivo de chamar a atenção para a importância da atividade e nortear políticas públicas e estratégias privadas capazes de impulsioná-la.

Financiado por meio de um convênio entre o Ministério da Agricultura e a Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), o estudo foi elaborado ao longo dos últimos oito meses por pesquisadores da consultoria Markestrat e da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), ambos criados por docentes da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) de Ribeirão Preto (SP).

Conforme destaca Marcos Fava Neves, professor titular da FEA em Ribeirão Preto e coordenador do trabalho, a área de decoração liderou o PIB total do segmento de flores e plantas ornamentais em 2014, com R$ 2,3 bilhões, seguida pelos negócios da floricultura (R$ 982,4 milhões) e do paisagismo (R$ 648,8 milhões). O PIB, lembra, é a soma dos produtos finais da cadeia produtiva.

Já a movimentação financeira, que inclui o faturamento anual de todos os elos da cadeia, ficou mais concentrada no atacado e no varejo "depois das fazendas" (R$ 6,4 bilhões no conjunto das duas frentes), enquanto o valor estimado para essa movimentação "antes das fazendas" foi de R$ 1,3 bilhão.

Fava Neves realça, ainda, que o alicerce da cadeia produtiva são as cooperativas. As três principais do país (Veiling Holambra, Cooperflora e SP Flores) têm sede em São Paulo, que representa 40% do mercado nacional de flores. Fora do Estado, a produção de flores segue pulverizada e, em geral, atrai tecnologia e investimentos limitados.

"O estudo nos mostra que o cooperativismo é o caminho para que a cadeia produtiva de flores se expanda no Brasil. O potencial de avanço do cooperativismo no segmento de flores é um dos maiores quando comparado a outras cadeias do agronegócio", diz Edivaldo Del Grande, presidente da Ocesp.

O estudo ("Mapeamento e Quantificação da Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais do Brasil em 2014") contempla entrevistas com mais de 100 representantes de todos os elos da cadeia e identificou a comercialização de mais de 2 mil espécies.

Entre os principais gargalos identificados pelo trabalho, destaca a Ocesp, estão transporte e armazenagem deficientes, carência de profissionais especializados, poucas fontes de financiamento e um controle fitossanitário que deixa a desejar. Melhorias nesses pontos podem ajudar a estimular o consumo de flores, restrito a US$ 9 por habitante ao ano, ante US$ 58 nos EUA e US$ 25 na Argentina.

Por Fernando Lopes | De São Paulo
Fonte : Valor

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