PGFN regula a Lei que autoriza o parcelamento de débitos rurais inscritos em DAU

parcelamento de débitos rurais inscritos em DAU

PGFN regula a Lei que autoriza o parcelamento de débitos rurais inscritos em DAU

A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou, em 03 de setembro de 2014, a Portaria 682, regulamentando as medidas de estímulo à liquidação ou renegociação de dívidas originárias de operações de crédito rural inscritas em Dívida Ativa da União, autorizadas pela Lei 11.775, de 17 de setembro de 2008.
O normativo procura adequar a Portaria 643, de 01 de abril de 2009, aos novos prazos e condições criadas pela Lei Lei 13.001, de 20 de junho de 2014.
A nova legislação permite que o devedor pague à vista ou renegocie, em até 10 (dez) anos, os débitos originários de operações de crédito rural, cedidas à União, com os descontos que variam de 33% a 70% de desconto, conforme o valor do débito.
Para tanto, exige que o débito tenha sido inscrito em Dívida Ativa da União até 23 de junho de 2014, data da publicação da Lei 13.001.
O prazo para adesão ao parcelamento encerra-se em 31 de dezembro de 2015.
A Lei ora regulamentada ainda autoriza a renegociação de dívidas  contraídas no âmbito do Fundo de Terras e da Reforma Agrária e do Acordo de Empréstimo 4.147-BR, nos mesmos prazos e condições.

Segue a íntegra da Portaria 643, com a redação dada pela Portaria 682 da PGFN:

MINISTÉRIO DA FAZENDA

Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional

 

PORTARIA PGFN N° 643, DE 1º DE ABRIL DE 2009

Regulamenta as medidas de estímulo à liquidação ou renegociação de dívidas originárias de operações de crédito rural inscritas em dívida ativa da União, nos termos do art. 8° da Lei n° 11.775, de 2008.

O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso XIII do art. 49 do Regimento Interno da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pela Portaria n° 138, de 1° de julho de 1997, do Ministro de Estado da Fazenda, e tendo em vista o disposto no art. 8°, § 11, da Lei n° 11.775, de 17 de setembro de 2008, resolve:

Art. 1º – Os débitos originários de operações de crédito rural e das dívidas contraídas no âmbito do Fundo de Terras e da Reforma Agrária e do Acordo de Empréstimo 4.147-BR, inscritos em dívida ativa da União até 23 de junho de 2014, poderão ser pagos ou renegociados com redução dos seus valores, observadas as disposições desta Portaria. (Redação dada pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014.)

Parágrafo único. O Banco do Brasil S.A. auxiliará a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a operacionalizar a concessão dos benefícios referidos no caput, nos termos do art. 8°, § 1°, da Lei n° 11.775, de 2008.

DA ADESÃO

Art. 2º – A adesão aos benefícios de que trata esta Portaria deverá ser feita até 31 de dezembro de 2015, para os casos de renegociação e liquidação. (Redação dada pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014.)

Parágrafo único. Observados os prazos estabelecidos no caput, a adesão à renegociação se efetivará com o pagamento da primeira parcela, e, no caso da liquidação, na data do pagamento do saldo devedor.

Art. 3° O pedido de adesão à liquidação ou à renegociação com os descontos estabelecidos nesta Portaria deverá ser formulado junto ao Banco do Brasil S.A., conforme indicação contida no endereço eletrônico da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (www.pgfn.gov.br).

§ 1° O pedido de que trata o caput deverá ser feito pelo próprio devedor pessoa física, pela pessoa jurídica devedora, por intermédio de seu responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, ou por representante legal.

§ 2° Nos casos de liquidação, o devedor poderá solicitar sua adesão diretamente às unidades da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

Art. 4° A adesão aos benefícios desta Portaria sujeita o devedor à aceitação de todas as condições nela estabelecidas e implica confissão irrevogável e irretratável da totalidade dos débitos originários de operações de crédito rural inscritos em dívida ativa da União, configurando confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil.

Parágrafo único. Como decorrência processual lógica da confissão prevista nocaput, a adesão à liquidação ou à renegociação com os descontos previstos nesta Portaria configura desistência, por parte do devedor, de todas as ações judiciais em que haja discussão sobre inscrição em dívida ativa da União decorrente de operações de crédito rural, bem assim renúncia ao direito sobre o qual tais ações se fundam.

Art. 5° Nos termos do art. 35 da Lei n° 11.775, de 2008, não poderão aderir aos benefícios desta Portaria os usuários de crédito rural que tenham praticado desvio de recursos, ainda que esta ocorrência tenha por origem dívidas não inscritas em dívida ativa da União.

DA LIQUIDAÇÃO

Art. 6º – Até 31 de dezembro de 2015, o devedor poderá pagar o montante consolidado de seus débitos originários das operações de crédito rural descritas no art. 1º com os descontos estabelecidos no Anexo I desta Portaria. (Redação dada pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014.)

Art. 7° Para as dívidas que tenham origem em operações destinadas ao financiamento de atividade na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – Sudene, excetuados os municípios constantes da Portaria Interministerial n° 2, de 5 de novembro de 2008, dos Ministérios da Integração Nacional, da Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como para as dívidas oriundas de operações de crédito rural contratadas ao amparo do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento do Cerrado – Prodecer-Fase II, o desconto percentual constante do Anexo I desta Portaria será acrescido de 10 (dez) pontos percentuais.

§ 1°     O desconto adicional conferido ao débito oriundo de operações destinadas ao financiamento de atividade na área de atuação da Sudene não é cumulativo com o desconto adicional conferido aos débitos de Prodecer-Fase II.

§ 2° Caso o devedor possua, simultaneamente, débitos originados de operações destinadas ao financiamento de atividade na área da Sudene ou débitos de Prodecer – Fase II e outros que não se enquadrem em tais situações, o desconto adicional de 10 (dez) pontos percentuais incidirá apenas sobre os débitos de área da Sudene ou de Prodecer – Fase II.

DA RENEGOCIAÇÃO

Art. 8º – Até 31 de dezembro de 2015, o devedor poderá renegociar, em até 10 (dez) anos, o montante consolidado de seus débitos originários de operações de crédito rural descritas no art. 1º com os descontos estabelecidos no Anexo II desta Portaria. (Redação dada pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014).

Art. 9° Para as dívidas oriundas de operações de crédito rural contratadas ao amparo do Prodecer-Fase II, o desconto percentual constante do Anexo II desta Portaria será acrescido de 10 (dez) pontos percentuais.

§ 1° Caso o devedor possua, simultaneamente, débitos originados de operações de Prodecer – Fase II e outros que não se enquadrem em tal situação, o desconto adicional de 10 (dez) pontos percentuais incidirá apenas sobre os débitos de Prodecer – Fase II.

§ 2° O desconto adicional de que trata o caput deste artigo não se aplica à renegociação referente às operações de crédito rural contratadas para financiar atividade localizada em área de atuação da Sudene.

Art. 10. O prazo de amortização da renegociação ficará a critério do devedor, até o limite máximo de 10 (dez) anos, sendo que o recolhimento das parcelas deverá ser feito, anualmente ou semestralmente, de acordo com o fluxo de receitas declarado pelo devedor.

§ 1° O valor de cada parcela será apurado pela divisão do valor consolidado das inscrições de crédito rural pela quantidade de parcelas indicada pelo devedor, aplicando-se em seguida o desconto percentual e, ao fim, deduzindo-se o valor do desconto fixo dividido pela quantidade de parcelas indicada.

§ 2° O valor da parcela será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, calculados a partir da data da solicitação do parcelamento até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado, nos termos do art. 13 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002.

§ 3° O devedor poderá adiantar o pagamento de parcelas, sendo que a parcela adiantada será considerada como a última devida.

Art. 11. O não pagamento de qualquer parcela no prazo ajustado ocasionará rescisão automática da renegociação, independentemente de interpelação ou notificação judicial ou extrajudicial.

Parágrafo único. O descumprimento do parcelamento resultará na perda dos benefícios em relação às parcelas não recolhidas, sendo mantido o desconto concedido referente às parcelas pagas.

DA CONSOLIDAÇÃO DOS DÉBITOS

Art. 12 – A consolidação dos débitos incluirá todas as inscrições originárias de operações de crédito rural descritas no art. 1º existentes em nome do devedor no mês do pedido de adesão aos benefícios desta Portaria. (Redação dada pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014).

§ 1° A consolidação dos débitos:

I – abrange, obrigatoriamente, os débitos com exigibilidade suspensa em função de outros parcelamentos ou de decisão judicial;

II – será feita de forma universal, não podendo o devedor escolher liquidar certas dívidas e renegociar outras;

III – tomará por base o valor total das inscrições de crédito rural no mês do pedido de adesão, considerados o valor do principal e dos juros de mora, excluído apenas o encargo legal, nos termos do art. 8°, § 10, da Lei n° 11.775, de 2008.

§ 2° Serão incluídos na consolidação tanto os débitos em que o devedor figura como responsável principal quanto aqueles em que figura como co-responsável.

Art. 13. Revogado pela Portaria nº 682, de 3 se Setembro de 2014.

DAS COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES

Art. 14. No caso de cooperativas ou associações de produtores rurais, apenas para fins de enquadramento nos descontos das tabelas constantes dos Anexos I e II desta Portaria, o saldo devedor será considerado tomando-se por base o resultado da divisão do valor consolidado da dívida inscrita em nome da cooperativa ou associação pela quantidade de cooperados ou associados ativos da entidade.

Parágrafo único. Considerar-se-ão como ativos apenas os cooperados ou associados registrados no último livro de matrícula ou nas fichas cadastrais da cooperativa ou associação.

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 15. Os valores pagos pelo devedor amortizarão suas dívidas na ordem decrescente de antiguidade das inscrições, levando-se em conta a data de vencimento dos débitos que as compõem.

Parágrafo único. No caso de inscrições diversas com débitos de mesmo vencimento, o pagamento será imputado na ordem decrescente dos montantes consolidados de cada inscrição.

Art. 16. A concessão da renegociação independerá de apresentação de garantias ou de arrolamento de bens.

Art. 17. A liberação ou a revisão das garantias da dívida deverá ser pleiteada mediante requerimento próprio protocolado junto à unidade da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos do art. 59 da Lei n° 11.775, de 2008, com a comprovação da adesão à liquidação ou à renegociação previstas nesta Portaria.

Art. 18 Os descontos concedidos serão imediatamente cancelados caso comprovadas fraudes em relação aos requisitos constantes nesta Portaria, sem prejuízo de ações para imputação de responsabilidade administrativa, civil e penal, conforme o caso.

Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, eventuais pagamentos efetuados serão computados como simples recolhimentos parciais do débito inscrito.

Art. 19 Aplica-se, subsidiariamente, as disposições da Lei n° 10.522, de 2002, à renegociação de que trata esta Portaria.

Art. 20 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS
Procurador-Geral Da Fazenda Nacional

ANEXO I
Descontos aplicáveis na liquidação


 

FAIXAS

Total dos saldos devedores na data da liquidação (R$ mil)

Desconto (em %)

Desconto fixo, após o desconto percentual (R$)

1

Até 10

70

2

Acima de 10 até 50

58

1.200,00

3

Acima de 50 até 100

48

6.200,00

4

Acima de 100 até 200

41

13.200,00

5

Acima de 200

38

19.200,00

 

 

ANEXO II

Descontos aplicáveis na renegociação

 

FAIXAS

Total dos saldos devedores na data da renegociação (R$ mil)

Desconto (em %)

Desconto fixo, após o desconto percentual (R$)

1

Até 10

65

2

Acima de 10 até 50

53

1.200,00

3

Acima de 50 até 100

43

6.200,00

4

Acima de 100 até 200

36

13.200,00

5

Acima de 200

33

19.200,00

 

Fonte:

Arilei Ribeiro Mendes Filho
arilei@alfonsin.com.br
 
RICARDO ALFONSIN ADVOGADOS
Rua Olavo Barreto Viana, 104/204
Porto Alegre/RS
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5 comentários sobre “PGFN regula a Lei que autoriza o parcelamento de débitos rurais inscritos em DAU

  1. Olá boa tarde, acho que o nosso congresso esta de brincadeira, eles só pensam em aumentar os próprios salários de forma que essa dívida dos agricultores de todo o Brasil, é uma dívida impagável de modo que , nessa dívidas estão embutidos juros abusivos, taxas de permanência, enfim tudo quanto ´re meio de roubar o agricultor esta embutido nas nossas dívidas, daí eu pergunto, o Agricultor quer pagar , mas de forma justa e devida os valores escritos acima, mas o que acontece que divida de R$ 24.000.00 hoje esta por volta de 2 milhões de reais, como é que o Agricultor vai pagar essa dívida, por isso, que o Presidente da Republica, deverá pedir ao Banco do Brasil para fazer um recálculo, para se chegar realmente num valor justo e honesto por parte das instituições financeiras, que por motivos políticos, sujaram os nomes de todos os agricultores de forma que isso seria passível de uma boa indenização por danos morais, lucros cessantes, porque esses juros cobrados indevidamente, mostra a realidade brasileira de que os grandes homens deste país que vestem um paletó, e se acha no direito de viver as custas de todo o trabalhador brasileiro de forma que muitos não passam de ladrões do colarinho branco, aumentam seus salários de forma com lhes convêm, enquanto o povo passa necessidade e maus trato com a saúde, falta da casa própria, há esse desmando, o PT precisa abrir o olho, ou vai sair antes do fenando Collor, precisamos nos unir, Agricultores de todos os país, Isso é uma cambada de ladrão.

  2. vendo a matéria do agricultor José Eduardo Gomes, concordo plenamente com suas afirmações pois quem segurou o plano real foi o agricultor, sem falar nas exportações do agronegócio que segura a balança comercial brasileira ao contrario os deficit seriam absurdos, eu também sou produtor rural e estou sendo executado sumariamente pelo banco do brasil, onde ficarei sem meu trator de trabalho e uma propriedade onde trabalho, quem esta no cadim poderão negociar com amplas vantagens, e eu voltarei a ser muito humilhado por perder o meu futuro

    1. Concordo com os dois colegas Agricultores, assim igual a eles eu sou um pequeno produtor rural no Nordeste do Brasil, motivado por interesses escusos dos Banqueiros gananciosos. Já perdi minha saúde, meu futuro e dos meus filhos, jogaram nossa dignidade na lama, em um empréstimo de R$ 18.600,00, já renegociei mais de R$ 62.000,00. ainda esta pendente mais de 100.000,00 para renegociar além de esta devendo 8 ( oito ) parcelas de mais de 10.000,00 reais na agencia do Banco do Brasil. O pior de tudo é que não tenho mais como pagar devido as grandes secas que desimou meu pequeno rebanho, e estou sendo ameaçado de morte pelos avalistas, e eles estão em querer não pagar porque quem pegou no dinheiro fui eu, igualmente se não bastasse tudo isso também sou avalista de um outro pequeno produtor rural, que em uma divida de R$ 24.000,00, já ultrapassa meio milhão de reais. Senhora Presidenta pelo amor de DEUS olhe para os nordestino que te elegeram para o seu desastrado segundo mandato. OBS vivo sobre cuidados médicos e remédios controlados, assim iguais a mim existem milhões de brasileiros de todo Pais. Imploro aos senhores Deputados e Senadores que aprovem uma Lei anistiando esse povo sofrido.

  3. É uma estupidez para o cidadão agricultor como esta dívida está sendo cobrada de acordo com a LEI 11.775 de 2011. Os Políticos (Senadores e Deputados Federais) tem que fazer uma revisão urgente e pedir a Presidenta Dilma a suspensão imediata de execução destas dívidas nos moldes como descreve a esta LEI. É uma excrecência como foi calculada estas dívidas agrícolas inscritas na União. Minha dívida de origem securitizada de R$ 29.748,56, e até Dezembro terei que pagar R$ 80.000,00 à vista. Se passar desta data tenho que pagar R$ 189.00,00. Ou renegociar com base nesta última em até 10 ano.
    Temos que apelar para Kátia Abreu para inteferir junto ao Ministério da Fazenda (Joaquim Levy Ministro do BRADESCO) e a própria Presidenta. Não temos como cobrir o rombo financeiro saqueado na Petrobras e inúmeras Instituições pelas quadrilhas do PT e seus coligados. Fora a gastança irresponsável do Presidentro Lula-Láu Larápio da Silva que doou dinheiro público – BNDES – a fundos perdidos generosamente para países de Ditadores e que a todo momento se intromete na administração direta do país.
    Temos que pagar de acordo como está sendo renegociada ou liquidado para dívidas dos não inscritos na União, conforme descreve a LEI 13.001.

  4. Concordo plenamente com os comentários acima. Porém vinha pagando pagando a divida parcelada, e na última parcela o juros estava super absurdo e não tive como pagar. Preciso renegociar, vocês sabem como posso efetuar? Existe somente essa lei que nos “ampara”.

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