Petrobras vai perfurar poço na costa gaúcha durante 2012

Fonte: Jornal do Comércio | Jefferson Klein

JOÃO MATTOS/JC
Estrella aponta potencialidades para os fornecedores gaúchos
Estrella aponta potencialidades para os fornecedores gaúchos

A Petrobras irá perfurar um poço na Bacia de Pelotas no próximo ano. Esse é o último passo para descobrir se há ou não petróleo em um determinado local. A ação acontecerá em alto mar, na bacia que abrange toda a costa que se estende de Chuí a Florianópolis. O investimento estimado na prospecção é de US$ 60 milhões a US$ 80 milhões.

"É uma iniciativa interessante, com todos os riscos exploratórios, mas os geólogos identificaram condições que apontam que pode ser encontrado ali um campo de petróleo", relata o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella.

O direito sobre a Bacia de Pelotas foi conquistado pela estatal na Licitação nº 6 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2004, quando a companhia adquiriu um bloco exploratório, dividido em seis células, de cerca de 3,9 mil quilômetros quadrados de área. A empresa já investiu em torno de R$ 20 milhões em levantamentos sísmicos nessas células, sendo que duas já foram liberadas para novas licitações.

Alguns geólogos acreditam que há mais possibilidade de a Bacia de Pelotas verificar jazidas de gás natural do que de petróleo. "Se encontrarmos gás natural, também será muito bem recebido, pois esse combustível entra na matriz energética brasileira de uma forma concreta", argumenta Estrella. O insumo seria particularmente importante para o Rio Grande do Sul, já que o abastecimento no Estado é feito através de gás importado da Bolívia e a termelétrica de Uruguaiana está hoje paralisada por falta de gás argentino.

No total, a parte terrestre da Bacia de Pelotas é de 45 mil quilômetros quadrados e a área marítima compreende 120 mil quilômetros quadrados. Não é a primeira vez que a Petrobras demonstra interesse na região. Os levantamentos exploratórios realizados pela estatal no local, desde a década de 1960, conduziram à perfuração de 16 poços, sendo oito em terra e oito na plataforma continental. Até agora, foram investidos mais de US$ 100 milhões em pesquisas realizadas na Bacia de Pelotas e ainda não se verificou a ocorrência de gás natural ou de petróleo.

Além da possível produção de petróleo, Estrella indica outra oportunidade para os gaúchos nesse setor: a área de fornecedores. Ontem, o dirigente encontrou-se com o governador Tarso Genro, no Palácio Piratini, para discutir esse assunto. Estrella lembra que há cerca de um mês teve uma reunião com Tarso, no Rio de Janeiro, quando foi apresentado o programa de desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul. "Vimos, naquela ocasião, que estamos diante de uma excelente chance para a Petrobras interagir com o parque industrial gaúcho para o atendimento das nossas necessidades de equipamentos, bens e serviços, especialmente, quanto ao pré-sal", diz Estrella.

O executivo acrescenta que o Estado está estudando a criação de um centro de tecnologia para apoiar as empresas envolvidas com a cadeia de produção de petróleo offshore (mar aberto). O presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Marcus Coester, informa que o projeto está sendo formatado. O empreendimento deve contar com o apoio do governo estadual e da iniciativa privada.