Pesquisadores apostam em inovação para impulsionar o agronegócio

Peter Zuurbier, da Universidade de Wageningen, na Holanda, acredita que conhecimento e produção de tecnologias devem ajudar países a vencerem os desafios do setor

por Hanny Guimarães

José Medeiros

Demanda crescente por alimentos desafia agronegócio a produzir mais e melhor (Foto: José Medeiros/Ed. Globo)

Dobrar a produção, de forma sustentável, para alimentar uma demanda crescente. O principal desafio do agronegócio não assusta os pesquisadores que apostam na inovação para contribuir com o setor. Nesta última semana, o professor Peter Zuurbier, diretor na América Latina da Universidade holandesa de Wageningen, discutiu o tema durante o seminário “Holanda: Potência em Agronegócio”, realizado em São Paulo.
“Inovação é uma necessidade neste negócio”, afirmou ele que acompanha de perto o desenvolvimento da agricultura e pecuária do Brasil. Em 2007, ele estabeleceu um escritório da Universidade, que tem como foco estudos voltados para o campo, na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP), em Piracicaba (SP). Zuurbier elabora pesquisas colaborativas e programas de inovação com parceiros da indústria de alimentos no país e é taxativo ao indicar que o conhecimento pode impulsionar este mercado. “São muitos os desafios. Em breve, seremos 9 bilhões de pessoas no mundo. Imagine produzir alimentos para tanta gente, com qualidade, e com a missão de reduzir o impacto ambiental? Não é uma tarefa fácil, mas é possível por meio do conhecimento e do desenvolvimento de novas tecnologias”, diz acredita.

Divulgação/NFIA

"Inovação é necessidade neste negócio", diz o professor da Universidade de Wageningen (Foto: Divulgação/NFIA)

Para ele, o Brasil está fazendo um trabalho exemplar neste sentido e a troca de informações entre os dois países é primordial para avançar na produção de alimentos. A Universidade de Wageningen abriga mais de 6 mil pesquisadores, entre eles, estudiosos brasileiros focados em desenvolver novas soluções para o setor. “Nos perguntamos todos os dias como agregar valor à agricultura, remunerar melhor a cadeia, garantir segurança alimentar e reduzir os custos para o produtor e o consumidor e eu a primeira resposta que vem à mente é: inovação. A profissionalização de alta tecnologia leva a inovação, que nos permite criar novos produtos. Ainda tem muito a ser feito”.

Parceria Brasil-Holanda

A Agência Holandesa de Investimentos (NFIA) no Brasil tem intensificado a atração de investimentos e a atuação entre empresas e entidades de ensino a fim de aumentar os negócios entre os dois países e promover o intercâmbio de conhecimento.
Companhias brasileiras como BRF, Petrobras, Braskem e Copersucar já possuem escritórios de distribuição e logística na Holanda, mas os atrativos do país – sistema fiscal, logística e tecnologia – estão atraindo também pequenas e médias empresas. Valter Watanabe, coordenador de vendas da Korin Agropecuária, acredita que temos muito a trocar com a Holanda. “O país é conhecido por ser porta de entrada para a Europa e quando pensamos em exportação devemos considerar esse parceiro”, afirma. O foco da Korin ainda é o mercado interno, mas a empresa já se movimenta para dar o próximo passo e alcançar o público externo. Recentemente, um dos diretores da empresa passou seis meses na Dinamarca para aprender sobre a produção orgânica de aves. “Fatalmente, a Holanda também nos interessa neste sentido. Vamos acabar buscando conhecimento com o país e acredito que eles têm a experiência no desenvolvimento de negócios na Europa. Temos muito a aprender”, diz Watanabe que pensa que para ampliar a produção e atingir preço será preciso olhar para os embarques.
O executivo acredita que quanto mais esforços no sentido de desenvolver o setor melhor. “Hoje, por exemplo, produzimos o frango natural e o frango orgânico. O orgânico é difícil, porque não temos ração orgânica suficiente disponível no mercado. Existe a demanda, mas não é rentável para o agricultor, porque não é produtivo, então ele deixa de produzir a semente orgânica”. A questão é como levar um produto melhor para as prateleiras com as complicações de produção? “Eu tenho o sonho de levar alimentos mais saudáveis, saborosos, de forma responsável para o meio ambiente e com bom preço para o maior número de pessoas. Se as inovações tecnológicas buscarem isso eu acredito que conseguiremos chegar lá”, planeja.

Fonte: Globo Rural

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