PESQUISA | Testando as condições futuras

Sob forte sol, Andrew Leakey realizou um tour por cerca de 30 hectares de milho, soja e painço. Tubos, mangueiras e cabos elétricos serpenteavam pelos lotes e equipamentos de alta tecnologia foram instalados no interior dos galpões. As mangueiras pulverizavam gases no ar – dióxido de carbono sobre a soja e ozônio sobre o milho – para ver como as plantas reagiriam às concentrações previstas para o futuro.
Com Elizabeth Ainsworth, cientista do Departamento de Agricultura dos EUA, Leakey e outros pesquisadores criaram uma mistura de ciência climática, agricultura e genética para estudar caminhos à produção de alimentos mais resistentes.
– O melhoramento de plantas é a arte de escolher os vencedores e evitar os perdedores, por isso você tem que saber o que procurar – explica Elizabeth.
Na atmosfera, o ozônio protege a Terra de alguns danos da radiação solar. No solo, é um poluente formado por reações químicas envolvendo emissões dos automóveis e das indústrias geradoras de energia. É uma forma corrosiva de oxigênio que ataca tanto plantas quanto os pulmões de seres humanos. E há o temor entre alguns cientistas de que o ozônio no nível do solo aumente à medida que o mundo fica mais quente e poluído.
Cientistas de renome têm alertado para a importância de se prestar atenção ao ozônio. Afirmam que parece já haver redução na produção mundial de alimentos, mas que pode ser um fator mais fácil para controlar do que o dióxido de carbono (CO2). – É possível aumentarmos muito a oferta de alimentos se dermos mais atenção a esse fato – pondera Denise Mauzerall, pesquisadora da Universidade de Princeton.
Pesquisas das décadas de 1980 e de 1990 sugerem que níveis mais elevados de dióxido de carbono podem impulsionar às plantações no futuro. Mas esses trabalhos foram feitos em condições artificiais, como em estufas.
– Não é uma simulação perfeita do futuro, mas nós acreditamos que nos possibilita dar um impulso na criação de soluções – antecipa Leakey que coordena o trabalho.

AS PESQUISAS E OS POSSÍVEIS IMPACTOS

– Estudos sugerem que o aumento das temperaturas em importantes regiões agrícolas já está diminuindo a produção potencial de grãos, quando comparada aos resultados que provavelmente seriam obtidos se não houvesse aquecimento global. O problema pode ter contribuído para a alta no preço de cereais, que já levaram a graves problemas e disputa por alimento em países mais pobres.

– As evidências que se acumulam até o momento sobre esses riscos levaram integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas a fazer uma forte advertência. Mas o painel chamou a atenção ao potencial que a agricultura pode ter se conseguir adaptar-se às alterações climáticas, com novas práticas de cultivo e variedades geneticamente melhoradas.

– Por uma ordem da Justiça americana, o governo dos EUA está sendo obrigado a sugerir, até o final deste ano, um plano de redução da liberação de ozônio, principalmente para beneficiar a saúde da população. Possivelmente, será bem custoso, mas provavelmente também trará vantagens à produção agrícola. Mas diminuir o ozônio não é a única estratégia: criar plantas resistentes a seus efeitos é uma outra abordagem.

MULTIMÍDIA

Fonte: Zero Hora

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