Pesquisa realizada em Lajeado tenta identificar formas para recuperar a vegetação às margens do rio Forqueta

Uma pesquisa realizada em Lajeado pode contribuir para a implantação de projetos de restauração da vegetação nas margens dos rios e arroios do Vale do Taquari. O estudante do curso de Ciências Biológicas da Univates, Jader Zeni, orientado pela professora Elisete Maria de Freitas do 8º semestre, explica que a ideia surgiu em setembro de 2018 quando alguns profissionais da área ambiental defendiam a ideia de que a sucessão ou regeneração natural seria uma excelente alternativa para a restauração da cobertura vegetal nas margens dos rios e arroios onde estivesse degradada.De acordo com Zeni, a pesquisa objetiva verificar se as áreas desprovidas de mata nas margens do rio Forqueta têm potencial para a regeneração natural da cobertura vegetal. O banco de sementes do solo é formado pelas sementes de plantas que são encontradas no solo e em sua superfície. Sua existência possibilita a restauração da vegetação em um processo natural de sucessão. O estudante explica que o banco de sementes é uma importante fonte de conhecimento biológico sobre o histórico da vegetação local nas proximidades das margens dos rios e pode ser responsável por regenerar a floresta a partir da germinação das sementes.

A orientadora da pesquisa explica que a investigação partiu da necessidade de buscar a resposta a um questionamento que ela se fazia quanto à capacidade natural da restauração da cobertura vegetal. Então ela inseriu em seu projeto de pesquisa o objetivo de caracterizar o banco de sementes do solo de áreas degradadas pela ação do homem. A partir desse estudo, e de outros semelhantes em andamento em outro rio, será possível definir a necessidade ou não da interferência humana no processo de sucessão natural de modo a garantir a adequada regeneração da vegetação.

Para realizar a pesquisa, foram escolhidas três áreas nas margens do rio Forqueta que estavam desprovidas de mata ciliar. Em cada uma delas, foram coletadas 30 amostras de solo.

As unidades foram distribuídas em bandejas individuais e mantidas em casa de vegetação com irrigação diária pelo período de um ano. Desde março de 2019, quando houve a montagem do experimento, é realizada semanalmente a conferência das plantas.

Elisete explica que, em termos gerais, os resultados até então obtidos servem de alerta para a situação da restauração natural da cobertura vegetal e confirmam o que já se suspeitava; quando muito degradados e sem formações preservadas nas proximidades, as áreas das margens dos rios não têm potencial para a sucessão natural, sendo necessária a adoção de ações para favorecer a restauração da vegetação. Essas ações seriam, no primeiro momento, o controle de espécies exóticas invasoras e o plantio de plantas pioneiras.

O estudo também alerta para a necessidade de adotar ações que garantam a preservação desses ecossistemas, que fornecem inúmeros serviços ambientais.

O estudo deve ser concluído em dezembro deste ano, quando será possível enumerar as espécies que podem contribuir para a restauração natural da cobertura vegetal.

Fonte: Jornal do Comércio