Pesquisa indica novas formas de controle de pragas agrícolas

Segundo pesquisadora, o bicudo do algodoeiro é a praga que mais prejudica o cultivo do algodão no Brasil

Thais Julianne

Foto: Thais Julianne / Canal Rural

Bicudo é capaz de provocar a perda de 75% de uma plantação de algodão

A pós-doutoranda do Laboratório de Interação Molecular Planta-Praga, localizado na Embrapa Recursos Energéticos e Biotecnologia (Cenargen), de Brasília, Roberta Ramos Coelho, desenvolveu em quatro anos de pesquisa, alternativas aos inseticidas agrícolas tradicionais, responsáveis por danos ao meio ambiente e à saúde humana.
Em tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular, Roberta promoveu mutações em plantas a fim de torná-las menos vulneráveis ao nematoide fitoparasita, praga comum no país. Ela também realizou testes moleculares visando o controle de outro problema para os agricultores: o besouro bicudo do algodoeiro.
Segundo a pesquisadora, o bicudo do algodoeiro é a praga que mais prejudica o cultivo do algodão no Brasil, ela é capaz de provocar a perda de 75% de uma plantação. A pesquisadora identificou uma molécula no algodão que, se modificada, pode diminuir a população do inseto. Quanto ao nematoide, organismo que reduz a produtividade de diversas culturas agrícolas, a pesquisadora utilizou genes vegetais para diminuir o ciclo de vida do parasita.
– As formas de combate ao bicudo do algodoeiro e do nematoide fitoparasita são completamente diferentes. Ambas estão na minha tese – explica Roberta Coelho.
O também pós-doutorando, Alexandre Firmino, explica que a segurança de plantas geneticamente modificadas, conhecidas como transgênicas, é alta.
– Antes de o transgênico ser lançado, há um estudo que leva entre 10 e 15 anos. Não conheço nenhum caso de efeito colateral negativo relacionado à utilização de transgênicos – afirma.
Experimentos em laboratório e em lavouras ainda são necessários para que os métodos sugeridos pela pesquisadora sejam colocados em prática.

Segundo o doutor em biologia molecular pela Universidade de Brasília (UnB), Fernando Fonseca, as pesquisas são realizadas "visando a aplicação, o produto final”. Ele conta que o Brasil é o segundo país do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos – com maior área de “lavouras biotecnológicas”, ou seja, áreas de cultivo de espécies modificadas em laboratório. O território brasileiro conta, atualmente, com mais de 36 milhões de hectares de plantações do tipo e é onde a agricultura biotecnológica mais cresce no mundo.

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UNB

Fonte: Ruralbr

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