Pesquisa alemã combate erosão do solo no noroeste

Especialistas da Universidade de Leipzig comemoram o sucesso das técnicas utilizadas em propriedade de Itaocara cujo terreno estava muito degradado

Plantio direto  é uma das práticas incentivadas entre produtores para minimizar a degradação do terreno Plantio direto é uma das práticas incentivadas entre produtores para minimizar a degradação do terreno
Foto: Fotos: divulgação/Governo do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – Práticas de profissionais alemães podem ser a salvação para terras no noroeste fluminense. Com investimento baixo, pesquisadores da Universidade de Leipzig conseguiram combater a erosão em uma propriedade de Itaocara.

A cidade, que fica a 300 km da capital, tem cerca de 85% das áreas rurais voltadas para pastagens devido à forte produção de leite na região. Nas zonas de morros, a atividade contribui para o pisoteamento do solo, já que as trilhas feitas pelo gado desgastam a terra. Sem vegetação, com o clima quente e úmido, o solo fica exposto aos efeitos da erosão e mais vulnerável a deslizamentos.

Na propriedade de quatro hectares escolhida para o experimento, durante dois anos os especialistas aplicaram técnicas de bioengenharia. A prática incluiu o terraceamento agrícola com mudas – em rampas niveladas – e o chamado "parcelamento" do morro.

Cerca viva

A técnica abre caminhos mais largos do que os feitos pelos animais – na propriedade, a extensão total do terraceamento é de mais de meio quilômetro. Os terraços funcionam como os degraus de uma escada. Em cada nível foram plantadas mudas de espécies nativas resistentes à seca, como aroeira, jacarandá de espinho e leguminosas.

Ao crescerem, as mudas se tornam uma cerca viva, o que ajuda a delimitar a área para o rebanho. O revezamento dos espaços proporciona a regeneração do capim e protege o solo da erosão.

Ao mesmo tempo, o terraceamento ajuda a conter a água da chuva, já que os arbustos permitem maior infiltração da água. Nas áreas da propriedade onde o solo estava mais pisoteado, a equipe optou por erguer cercas com estacas de bambu e eucalipto (conhecido como paliçada) para ajudar a segurar a terra e os sedimentos no terreno.

Na fase inicial do projeto, foi usada uma camada de ritrogel, substância que ajuda a reter a umidade no solo, considerado essencial para a formação da cobertura vegetal. O custo com materiais e a estrutura utilizados na recuperação do terreno foi de R$ 15 mil.

"A equipe de pesquisa gostou muito do resultado. A maioria das espécies que usamos estão adequadas à região, têm alto valor ecológico, atraem pássaros e ainda podem fornecer sombra para o conforto térmico dos animais. A erosão foi contida", comemora o biólogo e professor da Universidade de Leipzig, Dietmar Sattler, que coordenou o estudo em Itaocara.

A pesquisa faz parte do Projeto Intecral, parceria entre o Programa Rio Rural, da Secretaria estadual de Agricultura do Rio, e o Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha. Além de Sattler, participaram do trabalho o aluno de doutorado Roman Seliger e o professor Jürgen Heinrich.

"Fiz o sacrifício de deslocar o gado para outra área, mas a recompensa é grandiosa. O capim brota com força e isso deve aumentar a produção de leite. É tão animador que tem vindo pessoas de vários locais impressionadas com a mudança na paisagem", conta o produtor Paulo César Alves, dono da propriedade em Itaocara.

O sucesso do experimento pode servir de base para que a técnica seja replicada em outras propriedades da região e até em outros países. "É importante que pequenos produtores tenham acesso a conhecimentos de ponta na agricultura. A parceria valoriza o protagonismo dos agricultores familiares, permitindo a implantação de técnicas avançadas e sustentáveis que melhoram a produção e aumentam a competitividade", defende o secretário de Agricultura, Christino Áureo.

Além da pastagem e do clima, o manejo não sustentável do solo, com o uso de tratores que aram de cima para baixo os terrenos muito inclinados – prática proibida pela legislação ambiental – agrava a situação.

Fernando Miragaya

Fonte : DCI

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