PESQUISA | Agricultura em um planeta aquecido

Cientistas avaliam possíveis efeitos do aquecimento global sobre diferentes lavouras e buscam melhoramentos genéticos

De longe, três homens caminhando pelo campo de milho, no interior dos Estados Unidos, se parecem com agricultores checando suas plantações. Adentrando cada vez mais, eles apontam para folhas listradas e amareladas em alguns pés. As folhas estragadas mostram que existem problemas e não apenas em uma única lavoura, perto do campus principal da Universidade de Illinois.
O trio, na verdade, é formado por jovens cientistas que estudam o impacto do aquecimento do planeta sobre a oferta de alimentos. Eles tentam imitar condições que provavelmente serão realidade em algumas décadas, já que o ar está cada vez mais cheio de gases que retêm calor e outros poluentes. Uma rede de tubos pulveriza sobre a lavoura dióxido de carbono e um poluente corrosivo, o ozônio. Lâmpadas e equipamentos simulam seca e ondas de calor.
As respostas a essas pesquisas, feitas há quase 10 anos, são preocupantes. No início do ano, cientistas de Harvard e de outros locais combinaram dados do projeto de Illinois com descobertas feitas em três países. Os peritos relataram que as plantações cultivadas em ambientes projetados para simular as condições que encontraremos no futuro têm deficiências de nutrientes em comparação com as lavouras atuais.
Os cientistas de Illinois querem ir além do relato de problemas. A questão maior é: o que pode ser feito para tornar as plantas mais resistentes? Durante décadas, especialistas foram relativamente otimistas sobre a questão, afirmando que o aquecimento dos países gelados do norte iria beneficiar as lavouras e compensar prováveis perdas de produção nos trópicos. Sugeriram até ganhos devido a uma espécie de resposta dada pelas plantas ao problema. Elas retiram do ar o dióxido de carbono que está fazendo com que o planeta se aqueça e usam luz solar para transformá-lo em açúcares.
VARIEDADE DE MILHO MAIS RESISTENTE AO OZÔNIO
Os jovens cientistas foram a campo para acompanhar o efeito que quantidades elevadas de ozônio têm sobre as plantas. Gorka Erice, biólogo do País Basco, na Espanha, operava uma máquina de US$ 75 mil, que carregava nas costas, para medir a velocidade da ocorrência da fotossíntese nas folhas de milho. Ele fatiava círculos nas folhas e, em seguida, depositava as amostras em um tanque de nitrogênio líquido, congelando- os a 171°C negativos para análise posterior.
Os resultados completos da pesquisa não serão conhecidos de imediato, mas já é consenso que certas variedades de milho resistem ao ozônio melhor do que outras. Da mesma forma, os pesquisadores encontraram sementes de soja que crescem especialmente bem com altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. E estão começando a perguntar como devem reagir as plantações de tomate, ervilha e morango, que são consumidos mais diretamente como alimento (a maior parte do milho e da soja destina-se à alimentação de animais de corte). Se os pesquisadores descobrirem as razões genéticas para isso, os resultados serão cruciais para quem faz melhoramento nas lavouras.

JUSTIN GILLIS | NEW YORK TIMES

MULTIMÍDIA

 

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *