Pesos pesados no campo

Chegam ao Brasil tratores e implementos gigantes, capazes de substituir várias máquinas menores com economia de tempo, combustível e mão de obra

por Tânia Rabello

Editora Globo

Da esq. p/ dir.: Massey Ferguson, Valtra, Case, New Holland e John Deere

Cada vez mais intensiva, a agricultura empresarial brasileira tem exigido eficiência do produtor na gestão do tempo para enfrentar duas, até três safras por ano. Some-se a isso a escassez e o encarecimento da mão de obra no campo e chega-se à fórmula que se torna uma tendência no país: a utilização de máquinas e implementos de altíssima performance.
A indústria percebeu a demanda do campo e entra forte este ano na oferta de tratores e implementos gigantes, com maior capacidade de arrasto e transbordo, e a vantagem, por exemplo, de fazer o trabalho de vários tratores menores, em menos tempo, com economia de combustível e mão de obra. São máquinas cuja potência nominal varia de 340 a 560 cavalos-vapor (cv).
Além da força extra de trabalho, uma característica comum a todos é o fato de serem importados. Embora a demanda seja crescente, dizem os fabricantes, ainda é inicial e não compensa montar uma linha de produção nacional específica para esse maquinário superlativo. Os fabricantes têm os números na ponta da língua para justificar a iniciativa de trazer para cá os grandes tratores. Na América do Sul – considerando-se que 70% dasvendas estão no Brasil –, o mercado de tratores acima de 180 cv passou de 5,6% para 9%, de 2007 para cá, informa o responsável pela área de tratores grandes para toda a América Latina da John Deere, Paulo Verdi. “Por trás dessa tendência está a profissionalização, também crescente, do agronegócio”, opina Verdi.
Números da AGCO, que detém as marcas de tratores Valtra e Massey Ferguson, apontam crescimento de 161% no comércio de tratores acima de 200 cv entre 2009 e 2011. “No caso dos tratores acima de 300 cv, notamos um crescimento de 50% em um ano e meio”, diz o supervisor de marketing de produto tratores Valtra, Winston Quintas.
A decisão da Case IH, detentora das marcas Case e New Holland, de trazer maquinário mais potente para o Brasil, também passou pela demanda. “Os agricultores estão utilizando plantadeiras e implementos cada vez maiores, o que requer tratores de alta potência”, diz o especialista em marketing de produto da New Holland, Marco Aurélio Cazarim.
Os argumentos usados pelas montadoras fazem eco com o que pensa o produtor Valmor da Cunha, de Campo Novo do Parecis (MT). Ele cultiva 9.000 hectares de soja e 2.000 hectares de milho na mesma área. “Assim que colho a soja, já vou plantando o milho”, conta. Por isso, precisa de tratores de grande potência, para aumentar a rapidez da operação. “O rendimento também é maior, porque na época do plantio de milho estamos em pleno período de chuvas, o solo está barrento e um trator maior patina menos, permitindo que as máquinas trabalhem, chovendo ou não, além do fato de compactarem menos o solo.” Cunha vai trocar quatro tratores de 185 cv por dois de 340 cv. “Conforme as possibilidades, vou trocar toda a frota”, diz. Atualmente, ele possui 13 tratores de 185 cv. “O trabalho do operador vai ficar melhor, pois a cabine é extremamente confortável, além de o sistema de transmissão do motor também ser facilitado, o que aumenta o rendimento por área.” Ele lembra que, pegando em cheio a época da melhor chuva, a produtividade melhora. “O retorno vem rápido”, finaliza.

Fonte: Globo Rural

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