Perdas na renda fixa já atingem R$ 250 bilhões

As desconfianças com os rumos da política fiscal e o temor de rebaixamento da classificação de risco do Brasil trouxeram ao mercado de renda fixa uma nova onda de instabilidade, capaz de elevar o prejuízo acumulado neste ano pelos investidores que detêm esses papéis. Segundo cálculos de especialistas, a perda potencial do conjunto de títulos públicos prefixados e atrelados a índices de preço já alcança R$ 250 bilhões – em uma carteira de cerca de R$ 1,5 trilhão. Essa perda é meramente contábil e só se torna efetiva se o dinheiro for resgatado pelos aplicadores.

Essa rodada de deterioração dos ativos é explicada pela disparada dos juros futuros, acompanhada pela exigência de prêmios cada vez mais altos pelos investidores que decidem comprar os títulos públicos. Em apenas 15 dias, as taxas futuras chegaram a subir mais de um ponto percentual. É uma alta forte, equivalente ao que o Comitê de Política Monetária levou quase três meses para fazer.

Um bom exemplo é o DI janeiro de 2017 – um dos mais negociados na BM&F -, que subiu de 11,30% em 30 de novembro para perto de 12,30% no início desta semana. Hoje, esse contrato oscila ao redor de 11,97%.

Essa é a segunda onda do ano de forte instabilidade do mercado de renda fixa, que atrai investidores avessos a riscos. No fim de maio, quando entrou na pauta do mercado a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) começar a reduzir os estímulos monetários, os juros dos títulos do Tesouro americano dispararam, levando a um rebalanceamento global das carteiras. Exatamente porque o mercado já havia passado por uma acomodação nos últimos meses, há diferenças importantes no movimento que se vê agora.

"Não há a saída de estrangeiros e é visível que os fundos de pensão aproveitam para comprar os papéis de longo prazo, de olho no rendimento alto, o que contribui para amortecer o movimento", afirma o diretor de renda fixa da Franklin Templeton, Marco Freire.

Outra diferença é que, desta vez, questões locais têm um peso maior na piora do humor. O risco de perda do grau de investimento levou parte do mercado a reforçar posições em títulos prefixados de curto prazo. Essa demanda tem sido atendida pelo Tesouro nos leilões semanais, nos quais o volume de LTNs de curto prazo tem sido grande.

Fonte : Valor Econômico | Lucinda Pinto e Thais Folego | De São Paulo

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