Perdas com a seca já se aproximam de R$ 3 bi no Sul

As perdas agrícolas derivadas da estiagem provocada pelo fenômeno La Niña na região Sul do país já são calculadas em quase R$ 3 bilhões. Ontem, o governo do Paraná divulgou que o prejuízo no Estado chega a R$ 1,5 bilhão. No Rio Grande do Sul, a estimativa foi elevada de R$ 500 milhões para quase R$ 900 milhões, e na quarta-feira Santa Catarina projetou as perdas locais em R$ 400 milhões. Nos três, o quadro ainda pode piorar. Com o balanço paranaense, a soja entrou definitivamente na lista das lavouras mais afetadas, ao lado de milho e feijão.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná, com os problemas nas três frentes a quebra da safra de grãos de verão deste ciclo 2011/12 será de pelo menos 2,6 milhões de toneladas no Estado – 11,5% de uma colheita total inicialmente calculada em 22,1 milhões. E o problema deve se aprofundar porque não há previsão de regularização das chuvas para as principais regiões de cultivo nos próximos dias.

"O próximo relatório, no fim de janeiro, infelizmente pode vir com perdas maiores", diz Marcelo Garrido, coordenador da divisão de conjuntura do Deral. Em novembro e dezembro, o regime de chuvas no Paraná foi abaixo do normal. A projeção inicial para a produção de soja era de 14,2 milhões de toneladas, mas foi reduzida para 12,7 milhões. O prejuízo para a oleaginosa, carro-chefe do agronegócio brasileiro, será de R$ 1,02 bilhão no Estado. Em algumas regiões, a quebra foi maior – 15,3% no oeste e 19% no noroeste.

No caso do milho, como houve aumento de 21% na área plantada, havia uma expectativa de que a colheita atingisse 7,4 milhões de toneladas, 21% mais que as 6,1 milhões da safra anterior. Com a seca, a previsão caiu para 6,4 milhões de toneladas, com perdas avaliadas em R$ 379,7 milhões. No sudoeste paranaense, a quebra chega a 29%. No feijão, a estimativa para a safra recuou de 430 mil para 348 mil toneladas, com prejuízo de R$ 117,4 milhões.

Na safra 2005/06, o La Niña também resultou em seca e prejuízo para os agricultores do Paraná. Na época, 4,13 milhões de toneladas de grãos deixaram de ser colhidos. Outra safra que registrou frustração por causa de estiagem foi a de 2008/09, quando 5,06 milhões de toneladas deixaram de ser colhidas no Estado. Garrido comenta que existe a previsão de que os efeitos do La Niña perdurem por todo o verão. Conforme a secretaria, chuvas na última semana de 2011 amenizaram a situação. Ontem, choveu no fim do dia em Curitiba, mas para o oeste e o sudoeste as chances de chuva são pequenas.

No Rio Grande do Sul, a Emater-RS divulgou ontem a primeira projeção "oficial" de perdas nas lavouras de milho, soja e feijão provocadas pela estiagem. A quebra consolidada nas três culturas em comparação com as previsões iniciais para a safra 2011/12 já alcança 11,2%, ou quase 1,8 milhão de toneladas – que, com base nos preços médios pagos aos produtores nesta semana no Estado, valem R$ 871,9 milhões, acima da estimativa de perdas de R$ 500 milhões divulgada na quarta-feira pelo governador em exercício, Beto Grill.

Segundo o engenheiro agrônomo da gerência de planejamento da Emater-RS, Gianfranco Bratta, os números devem piorar, porque a seca perdura. E como os prognósticos climáticos para janeiro e fevereiro também são desfavoráveis, ele teme um quadro similar ao de 2004/05, quando a produção de soja no Estado despencou para 2,4 milhões de toneladas e a de milho, para 1,5 milhão.

A maior perda até agora ocorreu nas lavouras de milho, que devem produzir 4 milhões de toneladas, ante as 5,3 milhões previstas inicialmente. A diferença corresponde a um prejuízo de R$ 562,2 milhões. Conforme Bratta, 45% da área plantada está em fase de floração e enchimento de grãos, quando a necessidade de água é maior – 10% estão maduros para colheita e 2% foram colhidos. Em 2010/11 a produção alcançou 5,8 milhões de toneladas.

Para a soja, a estimativa foi revisada de 10,3 milhões para 9,9 milhões de toneladas. A diferença equivale a R$ 298,3 milhões e pode crescer nos próximos dois meses, já que a floração das lavouras começa agora e os grãos começam a se formar em fevereiro. "Estamos entrando no período mais crítico para a soja", diz Bratta. Na safra passada, a colheita do grão rendeu 11,7 milhões de toneladas.

Fonte:  Valor | Por Marli Lima e Sérgio Ruck Bueno | De Curitiba e Porto Alegre

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