Pecuaristas vão exportar embutidos de cordeiro para ‘os xeiques’


Sottomaior (centro, na foto) e sócios da KS Agrofoods apostam em derivados da carne da raça Poll Dorset
CRÉDITO: KS AGROFOODS/DIVULGAÇÃO/JC

Patrícia Comunello

Amigos, pecuaristas e com negócios ligados à exploração da raça ovina Poll Dorset. As três condições foram suficientes para a aposta em um mercado valorizado no exterior e sem concorrentes no Brasil. Trata-se da elaboração de embutidos premium com a carne de cordeiro da Poll Dorset, mirando a venda para o mercado consumidor de países muçulmanos.

Para isso, a exigência básica é ter a certificação Halal, que já é bem conhecida no Rio Grande do Sul para exportadores de frango e bovinos. Entre os sócios da KS Agrofoods estão os proprietários do frigorífico 3K, de São Jerônimo, que já faz o abate com a certificação, e a empresa Belluno Alimentos,  que elabora os embutidos também seguindo o Halal.

Na Expointer, sem público e onde raças de ovinos estão presentes, os empreendedores apresentaram  alguns exemplos como a bressaola (copa de suíno, mas que será de cordeiro) e pata-negra (famoso tipo de presunto) em uma confraternização do Núcleo Poll Dorset Sul.

Um dos trunfos da carne da raça e que eleva ainda mais o padrão dos derivados é a característica do marmoreio, que é a gordura entreamada. "A Poll Dorset é o Angus dos ovinos", compara Cláudio De Sottomaior Filho, um dos sócios e dono da marca Cordeiro da Estância, da Cabanha La Gloria, de Vale Verde. 

Na sociedade, que estreou no começo do ano, estão ainda Paulo Schnorr, Adroaldo Kroth, Thomás Ricardo Santi, Fabiano Salton e Eduardo Ceratto. todos com experiência no setor produtivo e da indústria de alimentos.

A previsão é começar a comercializar no exterior, para países no Oriente Médio, principalmente, em abril de 2021, adianta Sottomaior Júnior. Para chegar ao estágio da oferta, o grupo finaliza os testes dos produtos que devem incluir patê, pata-negra, bressaola, linguiça e salsicha.

"Nem lançamos e já recebemos pedidos de russos", comenta um dos donos da Cabanha La Gloria.

Para executar as pretensões externas, o grupo prepara as condições. Uma delas é o plantel, que começa com as matrizes. Hoje propriedades que vão atender ao KS Agrofoods somam 500 animais. A meta é chegar a 5 mil matrizes em dois anos. Segundo o grupo, há falta de matrizes no mercado gaúcho. 

“Vamos precisar de 10 mil ovinos para abate nos primeiros três anos", explica Sottomaior. Para acelerar a oferta de rebanho, serão feitos cruzamentos com borregas das raças Corriedale e Ideal.  

Os testes para a elaboração dos embutidos começaram em março. Há um período de maturação de dois a quatro meses das peças. “É um produto dos xeiques”, diz o pecuarista, citando o nível elevado de perfil de consumidor devido aos preços. Hoje a marca já vende para clientes muçulmanos que residem no Brasil.

Fonte : Jornal do Comércio

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