Pecuaristas brasileiros reagem ao pedido de taxação sobre exportação de gado vivo

Sugestão foi encaminhada em fevereiro ao governo por um grupo de frigoríficos

 

Angelo Muller

Foto: Angelo Muller

Embarque de animais vivos para fora do Brasil começou no final da década de 90

Pecuaristas reagiram ao pedido de obrigatoriedade do pagamento de uma taxa para exportação de gado vivo no Brasil. A sugestão foi encaminhada em fevereiro ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior por um grupo de frigoríficos.
O embarque de animais vivos para fora do Brasil começou no final da década de 90 e tem registrado alta. Em 2010, mais de 653 mil cabeças deixaram o país de navio. O comércio é alvo de críticas das indústrias, que reclamam da falta de animais para abate nos frigoríficos nacionais.
— Nós estamos com uma ociosidade de 60 a 65% nas indústrias de capacidade instalada, onde normalmente era 35%, 40%. Subiu porque não há boi acabado para abate. Então, a ociosidade está muito grande. As indústrias estão dando férias antecipadas, coletivas, e as que não podem, estão demitindo — diz Zilmar Mussali, diretor do Sindicato das Indústrias de Carnes do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Zilmar Mussali.
O Sicadergs aprova a cobrança da taxa como forma de diminuir a falta de animais no mercado.
— Cada animal que sai, e ele é totalmente isento de qualquer imposto, é um animal que deixa de entrar em uma indústria frigorífica que tem capacidade instalada com suas formalidades e os seus empregos — Zilmar Mussali.
Para os pecuaristas, a exportação de gado vivo mudou a forma como a carne brasileira é vista nos outros países.
— A exportação nos permitiu incorporar tecnologia, através de inseminação artificial, embriões, sêmen e tal e até pastagens. Nós conquistamos um lugar no mundo. Eu posso lhe afiançar aqui que a carne do Brasil, ela está sacramentada, conhecida através deste episódio de exportação de animais vivos. Isto não é para qualquer país — diz o pecuarista Carlos Alberto Chaves Gomes.
Mas a possibilidade da cobrança da taxa de exportação é considerada abusiva pelos criadores.
— Eu considero isso um crime que lesa a pátria. Não tem outra qualificação. E outra coisa: vamos deixar bem claro aqui porque já atingimos a maturidade e dentro de uma democracia deve haver respeito, principalmente pela propriedade do produtor rural que é o gado. Isto aí é uma intervenção de forma quase indireta. E isso vai trazer malefícios enormes — avalia Gomes.

Fonte: Ruralbr | Cristiano Dalcin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.