Pecuarista espera preços estáveis para o boi gordo

Depois das oscilações de 2020, analistas e agentes de mercado entendem que a conjuntura aponta para um período favorável ao criador neste ano

07/01/2021 | 19:44
Cíntia Marchi

Depois de cotações oscilantes em 2020 e de picos de preço no fechamento do ano, o mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul mantém uma expectativa positiva em relação a 2021. Para o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro/Ufrgs), Júlio Barcellos, os próximos meses permanecerão favoráveis para a recuperação econômica do pecuarista gaúcho que, entre 2016 e 2018, teve de encarar um enfraquecimento da atividade. “Espero que ocorra uma reprise dos preços do segundo semestre de 2020”, diz Barcellos, que acredita em estabilidade tanto nos valores, quanto no consumo e na exportação.

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Cepea (Cepea/Esalq/USP) também falam em cotações firmes em termos de país, principalmente em função da demanda externa e da possível continuidade de oferta restrita de animais prontos para o abate. A destinação de terneiros vivos para exportação, na opinião do presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, é uma das explicações para o enxugamento da oferta e para a consequente ampliação dos preços no Estado.

Desta forma, Lauxen acredita que 2021 poderá sustentar valores superiores aos vistos no ano passado. Destaca ainda que a falta de matéria-prima, associada às incertezas impostas pela pandemia do coronavírus, é uma das grandes preocupações dos frigoríficos, que provavelmente se obrigarão a aumentar a aquisição de carne de outros Estados neste ano.

Ao longo de 2020, os preços do boi gordo flutuaram. No primeiro trimestre, a cotação média do quilo vivo se manteve entre R$ 6,60 e R$ 7,07 no Estado, segundo o Nespro. Com o início da pandemia, recuaram para a casa dos R$ 6,30. Na metade do ano, período de entressafra, a cotação se recuperou e, após sucessivas altas, alcançou a casa dos R$ 7 em junho. Barcellos lembra que, no Brasil Central, os preços também subiram, o que limitou a entrada de carne de outros Estados no Rio Grande do Sul, outro movimento que ajuda a explicar a alta dos valores internos.

No entanto, o ponto fora da curva em 2020, segundo Barcellos, foi o comportamento das cotações entre setembro e outubro, quando se mantiveram firmes, diferentemente do que costuma acontecer nessa época em que o pecuarista amplia a oferta de animais para abate. “Esta foi a exceção”, destaca. No último trimestre de 2020 o quilo vivo do boi gordo alcançou a casa dos R$ 8, com pico máximo de R$ 8,93 no final de novembro.

Fonte: Correio do Povo

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