PASSEATA SILENCIOSA EM FAXINALZINHO

Comércio fechado, aulas suspensas e um clima de tensão tomaram conta de Faxinalzinho após a morte dos irmãos Anderson e Alcemar Batista de Souza, durante confronto com indígenas. Os acessos que haviam sido fechados pelos índios caingangues na madrugada de segunda-feira foram desbloqueados apenas depois de intervenção da Polícia, por volta do meio-dia de ontem.

Abalados com a tragédia, cerca de 500 moradores organizaram uma passeata silenciosa, que saiu da praça em direção à prefeitura. De lá, seguiram para o velório dos irmãos. A Polícia Federal de Passo Fundo iniciou investigação para apurar as mortes e pretende iniciar os interrogatórios hoje. Anderson e Alcemar foram velados no salão comunitário de Coxilhão Aparecida, que pertence a Faxinalzinho. Anderson era solteiro. Alcemar deixou mulher e uma filha de 13 anos, aluna da escola que atende também a indígenas da tribo Votouro Kandóia. O enterro ocorreu às 18h. Índios e agricultores cobram manifestação dos governos estadual e federal sobre as demarcações, que acabou, desta vez, em morte. ‘Esse problema é fruto da falha dos nossos governantes. A nossa portaria está pronta na mesa do ministro (José Eduardo Cardozo, da Justiça) há dois anos e ele só empurra com a barriga’, disse o cacique Deuclides de Paula, da tribo Votouro Kandóia. Classificou o assassinato dos agricultores como ‘fatalidade’. Segundo ele, os índios não estavam à paisana cuidando o bloqueio das vias, mas chegaram no momento em que os irmãos desbloqueavam a estrada e houve o confronto.

Fonte: Correio do Povo

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