PASSARÁ OS EUA – Abertura da Colheita da Soja festeja expectativa de maior safra do planeta

Um dos principais eventos da agricultura brasileira recebeu 1,5 mil pessoas e mostrou a importância da soja para a economia do país

O dia nem bem tinha amanhecido e a expectativa para a Abertura Nacional da Colheita da Soja, que aconteceu em Jataí (GO), nesta quinta-feira, dia 23, era de muita festa. O auditório lotado com mais de 1.500 pessoas, um recorde histórico para o evento, comprovou a importância e simbolismo do principal evento para a agricultura do país.

Mais uma vez a celebração foi contagiante, ainda mais com a perspectiva de que o país deve colher a maior safra de soja da história e, de quebra, se tornar o maior produtor mundial do grão, superando os Estados Unidos.

O otimismo dos participantes do evento era tão grande que as três colheitadeiras estavam lotadas com os líderes do agronegócio do país, entre eles: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS), o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, o secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, e o presidente da Aprosoja Goiás, Adriano Barzotto. Todos eles participaram da famosa ‘chuva de soja’, marca registrada do evento.

‘Chuva de soja’ reúne autoridades e produtores rurais

“Troquei o cavalo por uma colheitadeira e olha que pilotei bem, viu. O pessoal da Aprosoja já queria me contratar para a fazenda deles. Uma máquina super moderna que mostra que as indústrias também estão evoluindo ao passo do agronegócio brasileiro. Esse evento demonstra o respeito de todo o Brasil pelo produtor brasileiro, que planta com responsabilidade”, comentou o governador goiano, após descer da colheitadeira que realmente pilotava.

Brasil antecipa vendas 2021

Uma das palestras mais aguardadas pelos produtores de soja do país foi sobre a perspectiva de mercado, ministrada pelo presidente da consultoria Agroconsult, André Pessôa. Para ele, o Brasil não tem nada a temer sobre o acordo comercial entre China e Estados Unidos. Ele acredita que os brasileiros estão fazendo certo ao se anteciparem e já venderem a safra de 2021.

“Para esse ano, com o efeito do acordo entre a China e os EUA, a expectativa é vender 52 milhões de toneladas para a China e os EUA ampliem para 34 milhões de toneladas, sendo boa parte disso no segundo semestre. O primeiro semestre continuará sendo dominado por vendas do Brasil”, conta Pessôa.

André Pessôa, presidente da Agroconsult

Se a perspectiva até ao fim de 2020 não é tão ruim assim para os brasileiros, uma mudança no pensamentos dos produtores do país pode estar garantindo um 2021 tranquilo também. Pessôa acredita que os Estados Unidos devem produzir mais soja no ano que vem, até por um aumento de área prevista, passando de 30,6 milhões de hectares, para 34,3 milhões em 2020/2021.

“Ou seja, preocupação sim, mas nada de perder o sono. Os produtores do país foram muito competentes na comercialização para 2020, vendendo mais de 60% antes de iniciar a colheita, o que ajudará a enfrentar os desafios desse ano. Para 2021, já vendemos 6%, bem acima da média para o período. Então, os produtores brasileiros já estão se antecipando e diminuindo os riscos para 2021, pois já travaram vendas e trocas de insumos, prova de maturidade e evolução do produtor brasileiro no quesito”, diz.

Agricultura e meio ambiente

A imagem do agronegócio brasileiro no exterior também foi discutida durante o evento. O presidente executivo da Croplife Brasil, Christian Lohbauer, afirmou que existe uma “agenda do medo” contra o setor produtivo.

“Falam em Amazônia queimada, água poluída, alimentos sem segurança etc”, diz. De acordo com Lohbauer, a disputa é muito profunda, nasce na Europa e é importada por uma minoria do Brasil.

Christian Lohbauer, presidente da Croplife Brasil

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também participou da discussão e criticou a posição das lideranças mundiais em relação aos incêndios que atingiram a Amazônia em 2019.

“Há pouco o mundo dizia que estávamos queimando a Amazônia, que precisávamos combater os incêndios. E agora, a Austrália está pegando fogo e ninguém falou que esse incêndio precisa ser combatido, que é culpa do país. Então por que o Brasil é o único que tem obrigação de acabar com o fogo em um lugar que cabe a Europa inteira?”, questionou Alceu Moreira.

Por Canal Rural

Fonte : Canal Rural

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