País deve ter escassez de arroz e feijão

Funcionário com saca de feijão na zona cerealista de São Paulo; preços em alta
O prato mais popular do brasileiro já está mais caro e a tendência é de que suba ainda mais. As chuvas acima da média na região Sul do país, maior produtora dos dois grãos, provocou uma forte quebra de ambas as culturas. No caso do arroz, o país precisará quase dobrar a importação este ano, num momento desfavorável do câmbio para esse tipo de operação. Mas a situação do feijão é mais crítica. Não há como importar o tipo carioca, mais consumido no país, pois sua produção é restrita no mundo ao Brasil. A previsão é que haja um "apagão" de feijão no país.

O Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), entidade que reúne a cadeia produtiva do grão, prevê que haverá escassez do produto no Brasil numa janela de dois meses, entre 20 de fevereiro e 20 abril. Só após esse período, começa a entrar a oferta da segunda safra. Assim, a expectativa, segundo o Ibrafe, é de preços recordes nesse intervalo.

Agora em janeiro, pico da colheita, em vez de cair, o preço da saca (60 quilos) do feijão no Paraná subiu 30% – do patamar de R$ 170 para R$ 220, conforme o Ibrafe. "Não dá para arriscar a que níveis as cotações vão chegar", afirmou o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders.

Nos supermercados, o produto já subiu. O feijão carioca, mais consumido com 70% da preferência nacional, ficou em janeiro 20% mais caro nas gôndolas, segundo Rodrigo Gross, gerente geral da Josapar, uma das maiores beneficiadoras de alimentos do país, dona marca Tio João. Ele disse que, no caso do feijão preto, o repasse foi de 10%.

"A escassez será muito grande e, num momento como esse, a indústria é obrigada a repassar o aumento", afirmou Gross. Como não há de onde importar o feijão carioca, a tendência é que a oferta restrita deixe os preços muito elevados, abrindo espaço para outros tipos de feijão, segundo o executivo.

O problema é que choveu muito durante todo a safra do Paraná, o maior produtor nacional. Em vez de 326 mil toneladas, como previu a Conab no levantamento de janeiro, a colheita do feijão paranaense não deve passar de 285 mil toneladas, quebra de 13%, segundo o Ibrafe.

Ao menos 90% das áreas paranaenses de feijão já foram colhidas e o produto, comercializado. Em Minas Gerais e Goiás, respectivamente o segundo e terceiro maiores produtores nacionais de feijão, também deve haver perdas. A seca no início do ciclo e as chuvas agora na colheita estão reduzindo a produtividade. Há relatos até de abandono de área por alguns produtores em regiões do Triângulo Mineiro, conforme a Safras & Mercado.

No caso do arroz, os preços ao produtor já estão nos maiores patamares em 12 meses. As cotações estão se recuperando desde setembro, na esteira de uma maior valorização do dólar. O que acontece é que o arroz brasileiro tem um mercado externo consolidado e, quando o dólar sobe em relação ao real, o produto nacional fica mais competitivo na exportação, "enxugando" a oferta interna, disse o analista da Safras & Mercado, Élcio Bento.

O inesperado é que as chuvas reduziram a produtividade do arroz que será colhido agora a partir de fevereiro e, a previsão, é de que o abastecimento interno fique apertado. Com isso, nas projeções da Safras, o país terá de importar ao menos 1 milhão de toneladas de arroz para atender sua demanda, 82% mais que as 550 mil do ciclo 2015/16. " A tendência dos preços é altista. Na última semana, a exportação remunerou o equivalente a R$ 45 por saca. No mercado gaúcho, o produto foi negociado a R$ 42. Deve haver uma equiparação", acrescentou Bento.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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