Partido de Marina Silva emperra nos cartórios

Ex-ministra se reuniu com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral para pedir agilidade na validação de assinaturas

Edgar Lisboa, de Brasília

O Rede Sustentabilidade, partido da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva que trabalha intensamente para decolar e disputar a presidência da República no ano que vem, está tendo problema com os cartórios. A legenda, que diz ter mais de 800 mil assinaturas para o registro, só conseguiu que cerca de 200 mil fossem autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Pelo menos 600 mil estão ainda emperradas nos cartórios eleitorais.
Marina Silva, acompanhada de cinco deputados federais, já se reuniu com a presidente do TSE, ministra Carmem Lúcia, e reclamou da rigidez dos cartórios. Mesmo assim, a sigla tem esperanças. De acordo com Jorge Uequed, ex-deputado federal e principal articulador do Rede no Rio Grande do Sul, o PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, passou por problemas piores.
“Não temos dúvidas de que estamos cumprindo um prazo melhor que o PSD. No caso do PSD, quando não puderam cumprir prazos, houve alternativas legais para não prejudicar o andamento do processo por falta de pessoal e condições físicas dos cartórios eleitorais”, afirmou. Quando o PSD foi criado, o TSE foi acusado de ser muito permissivo por aceitar que os certificados de autenticidade das assinaturas não precisassem ser totalizados por cada tribunal regional eleitoral.
Segundo Uequed, um compromisso do TSE seria tranquilizador, já que os cartórios têm 15 dias para terminar de processar as assinaturas. Mas Marina está nervosa. “Essas assinaturas precisam ser validadas, porque não temos culpa se os cartórios não têm o parâmetro para fazer a validação ou se contam com estrutura de pessoal que não está dando conta de fazer o processamento dentro do prazo. Alguns cartórios simplesmente não justificam porque estão invalidando as fichas, e, por isso, precisamos de orientação para recorrer dessas decisões”, disse ao sair do encontro com Carmem Lúcia.
Ainda faltam nove dos 26 diretórios municipais necessários, mas o partido já quer entregar os documentos hoje para poder entrar em funcionamento no dia 23 de setembro e começar a captar as assinaturas dos candidatos. No Rio Grande do Sul, o deputado estadual Cassiá Carpes (PTB) ajuda a coletar assinaturas e pretende se filiar ao novo partido.
De acordo com Uequed, o partido irá participar das eleições majoritárias. “A partir do dia 25, o partido irá dar um salto fabuloso no Rio Grande do Sul.” O Rede pretende permitir as candidaturas avulsas “dentro da lei”. Assim, os candidatos se filiariam ao partido apenas para disputar as eleições, podendo se desfiliar no momento que quiserem.
Uma das promessas de Marina para as eleições é uma “reforma constitucional” que permita candidaturas avulsas, atualmente proibidas. A sigla também quer proibir os seus filiados de ter dois mandatos consecutivos para o mesmo cargo mais de uma vez e de aceitar doações de empresas de armas, fumo e bebidas, além de exigir que os candidatos tenham ficha limpa.

Fonte: Jornal do Comércio |

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