Paramount suspende ação em Uruguaiana

Após 15 anos processando lã em Uruguaiana, a Paramount desistiu do arrendamento e irá centralizar suas operações em Bagé. A empresa está retirando equipamentos e os 20 funcionários que restavam serão dispensados. Desde janeiro, 65 empregados foram demitidos. O motivo do encerramento das atividades é a alta ociosidade provocada pela concorrência imposta pelas barracas que operam durante os meses de venda da safra sem o recolhimento de tributos, o que lhes permitem oferecer ao produtor preços maiores dos que os da indústria.

Na unidade em Uruguaiana, a ociosidade beirava os 70% em relação aos 4 milhões de quilos da capacidade. ‘Até então, a empresa mantinha duas fábricas no Estado com capacidade para 7 milhões de quilos de lã. O problema nosso é a aquisição deste comércio instaurado e que não paga impostos, precisamos de fiscalização’, reclamou o diretor da Divisão de Tops da Paramount, Cláudio Bortolini, numa entrevista no começo do mês antes da confirmação da entrega da estrutura, prevista para janeiro.

Uma das tentativas de amenizar a diferença entre o que paga o comércio informal e as empresas chegou este mês ao governo federal. De acordo com o presidente da Federação das Cooperativas de Lã do Brasil, Álvaro Lima da Silva, a Câmara Setorial de Ovinos solicitou pedido de isenção do pagamento do PIS/Cofins para as operações de venda de lã. Seriam 9,25% a menos de defasagem. Segundo Carlos Leal, presidente da Cooperativa de Lãs Tejupá, de São Gabriel, que engloba produtores de 20 municípios e tem aproximadamente 900 associados, está difícil competir com os intermediários que chegam a pagar até R$ 0,30 mais por quilo. Hoje, a indústria recolhe R$ 0,20 por quilo de lã exportada para o Fundovinos, além do repasse de 2,3% do Funrural. As barracas também teriam de contribuir com o fundo, mas entraram na Justiça para não recolher a contribuição. Com a competição, a expectativa da Tejupá de receber 1,5 milhão de quilos caiu para 1 milhão de quilos.

Fonte: Correio do Povo

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