‘Paradeira’ no segmento de equipamentos

Passados cinco anos do agravamento da crise sucroalcooleira, a indústria que produz equipamentos para usinas segue inerte em função da falta de projetos, após um forte declínio de faturamento. Desde 2007, não há sequer uma única encomenda para construção de novas usinas, e a sobrevivência vem de serviços de manutenção de máquinas e ajustes nas fábricas de açúcar e etanol já existentes.

A Dedini Indústria de Base, a maior produtora de equipamentos sucroalcooleiros do país, amarga neste ano uma ociosidade de 60% de seu parque industrial. "Dá para jogar futebol dentro da fábrica", diz Sérgio Lemeo, diretor-presidente da companhia.

A empresa vem tentando, desde 2005, diversificar sua carteira para clientes de outros setores, como os de bebidas e siderurgia. Mas nem essa estratégia ajudou a melhorar seus resultados. "O país passa por um processo de desindustrialização. Quase não há setores investindo", diz Leme.

Dado esse cenário, a meta é faturar em 2013 os mesmos R$ 600 milhões de 2012. O número ainda está muito distante dos R$ 2,2 bilhões de receita obtidos pela empresa no auge da onda de investimentos em etanol, em 2008. Mas, ao menos, significará uma estabilidade, afirma o executivo.

O faturamento da Dedini no ano passado veio de serviços de manutenção em usinas, além de instalação de equipamentos de produção de etanol anidro e de concentração da vinhaça. "Desde 2007 não entra um projeto de construção de usina nova. Daqui a duas safras, o Centro-Sul terá mais cana do que capacidade instalada de processamento", antevê.

Já a principal concorrente da Dedini, a Sermatec, espera faturar este ano em torno de R$ 205 milhões. O valor está bem abaixo dos R$ 700 milhões faturados no auge do "boom" do etanol, em 2008. Mas pelo menos não deve ser muito menor que o realizado no ano passado, quando a empresa faturou R$ 218 milhões. "Esperávamos que o ano de 2012 fosse ruim, mas erramos. Foi pior", afirma Antônio Carlos Christiano, diretor-presidente da Sermatec. Em 2011, a empresa havia faturado R$ 320 milhões. Em 2012, a receita caiu 31%.

Apesar das últimas medidas de estímulo aos produtores de etanol concedidas pelo governo – isenção de PIS/Cofins e aumento da mistura de etanol anidro na gasolina -, Christiano não acredita que serão retomados investimentos em unidades novas. "As usinas estão com problemas financeiros acumulados há quatro ou cinco anos. Esse incentivo vai ser suficiente apenas para ajudar a compor caixa. Investimentos, somente com políticas de longo prazo".

Para Leme, da Dedini, as medidas foram "um bom começo". "Foi uma aspirina para um paciente na UTI. A febre será reduzida, mas não resolverá o problema’, diz Leme. (FB)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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