Para Sperotto, ICMS do trigo tem de cair de 8% para 2%

FREDY VIEIRA/JC

Esperamos para as próximas horas a decisão favorável do Piratini, diz Sperotto

Esperamos para as próximas horas a decisão favorável do Piratini, diz Sperotto

Com cerca de 850 mil toneladas de trigo estocadas, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) teme a liberação da Tarifa Externa Comum (TEC) para importação do grão. A medida, a ser apreciada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), tem o objetivo de abastecer, principalmente, o mercado do Nordeste, uma vez que o escoamento da produção gaúcha para a região não compensaria financeiramente, de acordo com o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Sineri Paludo. As duas entidades realizaram reunião na tarde de ontem, em Porto Alegre, para estabelecer metas de melhoria da competitividade do trigo. 
O problema do alto estoque é agravado pelo início da plantação da nova safra. Por isso, a Farsul pleiteia, junto ao governo estadual, a redução do ICMS de 8% para 2% sobre a saída interestadual de trigo, em uma tentativa de se equiparar ao valor utilizado pelo Paraná. “Esperamos para as próximas horas a decisão favorável do Piratini no sentido de consolidar a redução do ICMS. Em nível nacional temos um impasse, pois a tendência é que seja acatado o posicionamento da indústria em detrimento do setor produtivo”, afirma o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.
Segundo Sperotto, dos sete ministérios que compõem a Camex, seis devem ser favoráveis à entrada do grão estrangeiro, vindo da Europa e Estados Unidos. “Nosso estoque é fruto de uma importação inoportuna, quando foram liberados 3,2 milhões de toneladas em cima da nossa produção. Além disso, a indústria moageira sinaliza que esse trigo nosso deva ser consumido apenas em dezembro, quando a nova safra já estará colhida”, reclama. 
Paludo, por sua vez, afirmou que “sobre essa safra em estoque, não temos muito que fazer”. O secretário lembrou também que a decisão sobre a TEC não cabe apenas ao Ministério da Agricultura. “Se a decisão da Camex for favorável à queda da tarifa, precisamos de um ajuste fino para evitar danos na comercialização dos estoques”, destacou.
Segundo o secretário, o problema do mercado é que o maior centro consumidor está no Nordeste, enquanto os estoques estão concentrados no Sul. “Se fizermos a conta, compensa mais importar da Europa ou dos EUA do que deslocar do Rio Grande do Sul”, disse.
No encontro, foram anunciadas três propostas que, no entanto, devem impactar apenas na produção do próximo ano. Para Paludo, a criação de um novo sistema de cabotagem do Brasil, com a intenção de tornar eficiente o escoamento do produto do Sul para estados do Norte e Nordeste, é uma das prioridades da presidência da república. As outras duas questões são relativas aos custos de produção e formação de preço mínimo.

Fonte: Jornal do Comércio | Luiz Eduardo Kochhann

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