Para produtor, subvenção para seguro é insuficiente

Divulgação

Perondi, da Swiss Re: seguro ameniza impacto de variações no clima

O seguro rural está no plano de governo dos principais candidatos que concorrem à Presidência da República. O grande pleito dos executivos ligados ao agronegócios aos presidenciáveis é a transferência de parte do subsídio do crédito agrícola para o seguro, uma vez que a taxa de juros da economia caiu mais de 10 pontos percentuais no último ano e os bancos já oferecem taxas inferiores aos 7,5% previstos no plano safra.

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) afirma em seus discursos que, se eleito, dará ênfase a políticas de expansão do seguro agrícola, como migração de parte da subvenção pública da produção para o seguro e também pretende criar um fundo com recursos do Tesouro para mitigar prejuízos gerados por catástrofes. Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB) também citam a possibilidade de liberar mais recursos ao seguro rural para garantir a regularidade da renda no campo. "Isso significa a independência do produtor e a redução da romaria para refinanciar dívidas com bancos, o que beneficia inclusive as contas do governo ao não precisar usar recursos para este fim", defende Leonardo Paixão, CEO da Markel Seguradora, que opera exclusivamente com seguro rural.

Apesar da boa intenção de todos, inclusive em eleições passadas, a subvenção ao seguro patina. Só para citar a safra 2018/2019, o previsto era R$ 600 milhões e o mais recente anúncio informa que serão apenas R$ 450 milhões. No plano safra 2017/18, a promessa foi liberar R$ 550 milhões, mas só R$ 380 milhões chegaram para serem usados pelos produtores. "A falta de uma previsibilidade causa incertezas em todo o mercado. O programa deveria ter, e cumprir, metas para pelo menos cinco anos", diz Pedro Loyola, vice-presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante a rodada de sabatinas realizadas com presidenciáveis, que receberam o documento de 18 entidades do setor: "O Futuro é Agro – 2018 a 2030". Nele, o seguro rural é um dos destaques.

A estimativa de cálculo é de que subsídios de R$ 1,2 bilhão atenderiam a demanda pelo seguro. Mas não bastam só as promessas. A política tem de ser colocada em prática. Segundo a CNA, a previsibilidade é um indicador vital para as seguradoras calcularem preços e coberturas, que podem ficar mais atrativos à medida que a concorrência aumenta, estimulada pelo apoio do governo aos produtores. O país tem hoje cerca de 12% da área plantada de grãos com seguro. Em outros mercados mais maduros a taxa de penetração é muito superior. Pode chegar a 80%.

Mesmo com a imprevisibilidade de recursos, as vendas têm avançado nos últimos cinco anos, passando de R$ 2,3 bilhões em 2013 para a expectativa de R$ 4,9 bilhões no fechamento de 2018, o que, confirmado, representará avanço de 16% em relação aos R$ 4,7 bilhões de 2017. "Em 2010, o setor emitiu 12 mil apólices. Em 2017, cerca de 90 mil apólices" diz Paulo Hora, diretor técnico da área rural do grupo Banco do Brasil e Mapfre, que detém cerca de 70% das vendas.

Esse crescimento é considerado pequeno, diante do potencial do Brasil, que segue atraindo seguradoras de todo o mundo. Hoje ao menos dez companhias de seguros disputam esse mercado e investem em soluções analógicas e digitais para elevar o patamar de cobertura ao de outros países. "O programa de subvenção foi o grande impulsionador do aumento da demanda e pulverização dos produtores nos EUA, Espanha e Canadá, pois seguro é instrumento de politica agrícola", acrescenta Hora.

Além de ter mais recursos e previsibilidade, os agricultores seriam beneficiados por investimentos em equipamentos que possibilitem a criação de um banco de dados confiável. Enquanto nos EUA há mais de 20 mil estações meteorológicas, no Brasil há 2 mil e boa parte obsoleta. "Ter dados padronizados de chuva, ventos e seca num país com a diversidade de plantio e solos do Brasil é um grande desafio, que poderia ser facilitado com investimentos em tecnologia via satélite, diz Guilherme Perondi, diretor comercial da Swiss Re Corporate Solutions, a primeira a vender no país o seguro paramétrico, voltado a setores que têm receitas e custos de operação diretamente impactados por variações inesperadas no clima.

Por Denise Bueno | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor