Para crescer, Grupo Vibra busca novo investidor

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Para fazer aquisições, grupo pode precisar de investidor, disse Gerson Muller

O Grupo Vibra, dono das marcas de carne de frango Nat e Avia, inaugurou ontem em Montenegro (RS) um centro de pesquisa e inovação com aportes de R$ 5 milhões, como parte de um plano de expansão que prevê aquisições e admite o ingresso de um novo investidor. A ideia é reforçar a capitalização do negócio e ir às compras no Rio Grande do Sul e em "outra região" do país para garantir um "bom crescimento" num prazo de cinco anos, disse o diretor de marketing e vendas, Flávio Rogério Wallauer.

"Estamos olhando as oportunidades. Temos crédito e caixa, mas daqui a pouco, para fazer aquisições, a gente pode precisar de algum suporte a mais", reforçou o diretor superintendente Gerson Müller. Segundo Wallauer, ainda não há negociações em curso, mas este é o planejamento. "A empresa está pronta para crescer, com governança corporativa consolidada", disse. Uma abertura de capital não está prevista no momento.

Além do negócio de frango, o grupo é dono da empresa de genética Agrogen, com capacidade para produzir 14 milhões de matrizes por ano – cerca de 25% do mercado – a partir de aves "avós" recebidas da unidade de São Paulo da Cobb-Vantress, controlada pela Tyson Foods (ver matéria acima). Os incubatórios ficam em Montenegro, junto à sede do grupo, e Guarapuava (PR) e neste ano devem produzir 10 milhões de matrizes.

No ano passado, o Vibra teve receita líquida de R$ 1,2 bilhão, com alta de 4,8% sobre 2016, e para 2018 a previsão é chegar a pouco mais de R$ 1,3 bilhão. Neste ano, o desempenho será favorecido pela crescimento das exportações, que devem avançar 15% e chegar a 50% do faturamento e do volume vendido graças a espaços abertos no mercado externo pelo embargo da União Europeia a 20 frigoríficos brasileiros, afirmou Wallauer.

As vendas externas destinam-se a mais de 35 países entre Europa e Ásia, com a marca Avia, e América Latina e Oriente Médio, com a marca Nat, também comercializada no mercado interno. A sobretaxa de 18% a 38% sobre os produtos brasileiros aplicada em junho pela China, que junto com Hong Kong absorve 15% das exportações, terá algum impacto, mas a intensidade não está clara, de acordo com ele.

Com 4,2 mil funcionários e cerca de mil aviários integrados, o grupo tem 15 unidades no Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, incluindo fábricas de rações e os três frigoríficos, em Sete Lagoas (MG), Pato Branco e Itapejara d’Oeste (PR), que podem abater até 700 mil aves por dia. Atualmente o volume está em 520 mil cabeças, ante 500 mil em 2017, e a meta é preencher gradualmente a capacidade instalada nos próximos anos, explicou Müller. Segundo ele, a empresa é a quarta maior do setor no país, atrás apenas da BRF, JBS e Aurora Alimentos.

Fundado por Flávio Sérgio Wallauer e Heitor Müller, pais dos atuais diretores, o Vibra completa 50 anos neste mês e incluía a antiga Frangosul, que em 1998 foi vendida para a francesa Doux e depois, em meio às dificuldades da controladora, incorporada pela JBS. Após a venda da Frangosul, o grupo ficou com a Agrogen, mas voltou ao abate de frangos em 2009 em uma unidade terceirizada e, nos cinco anos seguintes, adquiriu os três frigoríficos em Minas Gerais e no Paraná.

Segundo o diretor de vendas, o centro de inovação inaugurado inclui uma planta industrial piloto e tem como meta permitir a renovação de 25% do portfólio da empresa até 2022, com a oferta de novos industrializados de frango, de maior valor agregado, como assados, temperados e empanados.

A nova unidade, disse, vai concentrar o trabalho de desenvolvimento que antes era feito em diferentes locais, com redução estimada de 30% nos prazos de colocação dos novos produtos no mercado.

Por Sérgio Ruck Bueno | Para o Valor, de Montenegro (RS)

Fonte : Valor