Para cadeia de trigo, setor não é previsível

O setor do trigo vive um momento de imprevisibilidade que não agrada a nenhuma das partes dessa cadeia. Para os moinhos essa situação vem do clima, que tem prejudicado as safras recentes, e da Argentina, de onde nunca se sabe quanto trigo virá. Com isso eles têm de buscar novos mercados.

Já os produtores entendem que a redução de alíquotas desincentiva a produção interna, embora muitas vezes ela se torne necessária.

Benedito Rosa do Espírito Santo, diretor da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, concorda que o setor necessite de maior previsibilidade.

Mas ele destaca que as próprias regras do Mercosul colocam travas nesse segmento, priorizando as importações de países vizinhos.

Rosa destaca, ainda, a concentração das safras dos países da região em um curto período de espaço. Alguém tem de carregar esses estoques.

Elisio Contini, chefe-geral da Embrapa Estudos Estratégicos e Capacitação, afirma que o trigo é um produto a ser considerado. A população brasileira tem mais renda, está mudando de hábitos alimentares e vive por mais tempo. É necessária uma política especial para o setor.

Enquanto os produtores acreditam que têm capacidade para atender 100% da demanda nacional de trigo, Rosa considera essa hipótese de difícil concretização. Na avaliação dele, é melhor o país produzir outros grãos, onde é mais competitivo, e complementar a demanda interna com importações.

Em um encontro da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), que se realizou neste início de semana em Comandatuba (BA), o setor discutiu saídas.

Os moinhos entendem que há uma grande evolução nos produtos derivados do trigo no mundo e que o Brasil precisa tomar esse caminho. Para isso, é necessário um trigo de qualidade.

Já os produtores querem avanços não apenas na qualidade, mas também na produtividade, um papel que pode ser desempenhado por empresas de pesquisas como a Embrapa.

Contini diz que a Embrapa desenvolve pesquisas para o trigo, mas que a participação da empresa no setor de sementes deve ficar próximo de 5%, um patamar bom para o país e para os produtores.

Sem renovação A redução da alíquota na importação de trigo de fora dos países do Mercosul não deverá permanecer após o final do próximo mês.

Traição Benedito Rosa, do Ministério da Agricultura, diz que seria uma traição com os produtores. Eles plantaram com uma regra e teriam outra na comercialização.

Oferta maior Os russos querem exportar trigo e farinha de trigo para o Brasil. Aleksander Medvedovsky diz que a produção russa cresce e o consumo do país está estagnado.

Complementares Medvedovsky, que é presidente de um conselho de negócios entre Rússia e Brasil, diz que os dois países podem ser complementares. A Rússia venderia fertilizantes e trigo, enquanto o Brasil forneceria carnes.

Barreiras A entrada do cereal russo não será fácil. O Brasil quer aproveitar essa oportunidade para eliminar as barreiras às carnes brasileiras no mercado russo.

Melhores do agronegócio A receita líquida das 500 maiores empresas do setor do agronegócio cresceu 3% no ano passado, conforme levantamento do "Anuário do Agronegócio 2013", da revista "Globo Rural".

Líder As receitas líquidas dessas empresas somaram R$ 514 bilhões. Entre as 20 principais do setor, o destaque ficou para a Jacto Máquinas Agrícolas. A Cosan foi a maior entre as 500.

DE OLHO NO PREÇO

cotações

Mercado interno

Frango
(R$ por quilo)2,70

Boi
(R$ por arroba)109,00

Londres

Cobre
(US$ por tonelada)7.260

Petróleo
(US$ por barril)109,97

Fonte: Folha | MAURO ZAFALON mauro.zafalon@uol.com.br

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