Ovinos têm mercado aquecido dentro e fora do Estado


  • Adriana assegura que os bons negócios da ovinocultura são uma marca de 2020
    CRÉDITO: LUIZA PRADO/JC

  • Thiago Copetti

    Sem a predominância tradicional dos grandes bovinos, é a presença dos ovinos que se sobressai na no Parque de Exposições Assis Brasil neste ano. Na manhã desta segunda-feira (28), por exemplo, a pista central de julgamentos era palco exclusivo para a disputa do campeonato da raça texel – a principal atividade na manhã de hoje nesta Expointer híbrida, com eventos presenciais e digitais.

    O espaço de destaque é adequado ao bom momento vivido pelo setor, assegura a advogada Adriana Castiel do Amaral de Mattos, da Cabanha Forqueta, de Santiago. A empolgação da advogada com a atividade e com os resultados da propriedade são um exemplo da atual valorização dos ovinos, nacionalmente.

    Para Expointer 2020 ela conta que o marido, José Thiago Machado de Mattos, separou os melhores exemplares do plantel de 300 animais e exibiu na competição desta manhã. Enquanto aguardava para colocar em pista dois dos 10 animais trazidos da fronteira, Adriana listava os muitos motivos da euforia.

    “Há demanda vinda de diferentes Estados por animais da cabanha, em remates virtuais, desde Santa Catarina e Paraná, até São Paulo, Minas Gerais e até da Bahia. Os preços estão bons, com procura em alta por criadores e por parte dos consumidores mesmo, pela carne e até por leite e derivados, como iogurte”, enumera Adriana.

    A advogada se diz entusiasmada com as vendas neste ano, em torno de 20% a 30% maiores. Os preços também animam a produtora, que calcula que o valor do quilo do animal subiu de próximo de R$ 6 em 2019 para cerca de R$ 9 atualmente. Isso no caso de animais comuns, para abate.

    “Nós, na Forqueta, trabalhamos com PO (Puro de Origem), de alta genética, e nunca vendemos tantos animais. Já tivemos leilões onde comercializamos 50 animais por em torno de R$ 500 mil, com um trabalho de seleção bastante diferenciado”, ressalta Adriana.

    Ela cita como exemplo da qualidade da marca Forqueta na raça texel a conquista de grandes campeonatos nas duas últimas edições da Expointer, ambos fruto de um cruzamento especial. A advogada conta que os animais vencedores em 2018 e 2019 era de uma linhagem rara. Assim como parte dos exemplares que estão agora no parque.

    “Os últimos grandes campeonatos vieram do cruzamento de uma fêmea grande campeã, a Castiel 561, com um grande campeão, o Castiel 116, o que trouxe crias que renderam mais duas vitórias. Ao produtor que compra para recria e abate, são animais com uma precocidade e bom ganho de peso”, explica a advogada.

    É essa capacidade de rentabilizar melhor um hectare de campo do que o espaço necessário à criação de bovinos outro fator de estímulo à cadeia produtivo da ovinocultura, diz Adriana. Isso porque mesmo com uma área pequena de campo produtores de menor porte tem na criação de ovinos uma boa fonte de renda. Ao menos nos últimos anos.

    “Já houve tempo em que a carne de ovinos era rejeita até mesmo por donos de fazendas como sendo de menor qualidade. Hoje, é um produto que pode ser nobre e com mercado em expansão. Tanto que tem compensando o frete para atravessar o Brasil, como já ocorreu com um embarque para a Bahia, anteriormente”, explica Adriana.

    Presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Leonardo Lamachia acrescenta os negócios com a lã no Estado à lista dos fatores que estão estimulando a ovinocultura.

    “É processo de retomada que veio de forma bem forte e perceptível em 2019, aqui na feira, com grande número de inscritos e vendas. Isso tanto pela valorização do consumidor de carne quanto pela lã”, acrescenta Lamachia.

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    Silva diz que depois da Expointer já tem pelo menos três feiras no horizonte. Foto: Luiza Praso

    Para o criador Valdir Roos da Silva, conhecido como Pit Bull, nome que batiza inclusive a sua cabanha, em Cachoeira do Sul, a feira é uma injeção de ânimo e se une outras exposições e remates que estão no horizonte.

    “A Expointer é a primeira feira que venho depois do início da pandemia. Na outra semana vou participar de uma em Cachoeira do Sul mesmo, e depois em Caçapava, São Sepé e talvez em Bagé”, comemora Roos.

    Sobre a Expointer, o pecuarista conta que a tranquilidade de movimento nesta edição, sua 29ª Expointer, tem com único benefício o cuidado com os dez animais que trouxe, dele e de cabanhas parceiras.

    “Para o bem estar animal, sem o tumulto de público, com certeza é melhor. Mas não ter esta feira iria fazer muita falta. Dá ânimo poder estar vir para Esteio de novo”, pondera o criador.

    Fonte : Jornal do Comércio

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