Otimista, Melitta prevê receita de R$ 1 bi no país em dois anos

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
Bernardo Wolfson, presidente da Melitta do Brasil: empresa deverá investir este ano R$ 70 milhões em pesquisa, propaganda e ações com consumidores e clientes

Apesar das incertezas econômicas e da perspectiva de crescimento modesto do país, a Melitta Brasil continua a apostar na expansão da empresa e prevê maior participação no mercado de cafés e filtros. Com investimentos crescentes, principalmente em pesquisa e propaganda, a meta de alcançar faturamento bruto de R$ 1 bilhão poderá ser antecipada em até dois anos, para 2015.

No ano passado, a receita bruta da companhia no país foi de R$ 812 milhões, 13% a mais que em 2011. Para 2013, a estimativa é crescer mais 11% e chegar aos R$ 902 milhões. Em 2012, a Melitta Brasil representou 20% do faturamento mundial da empresa familiar alemã, de capital fechado, presidida atualmente por integrantes da terceira e quarta gerações da família Bentz, que fundou o negócio há mais de um século.

Em 2008, os administradores traçaram como meta atingir R$ 1 bilhão de faturamento bruto no país em 2017, mas o presidente e CEO da Melitta Brasil, Bernardo Wolfson, afirma que o número poderá ser atingido antes, talvez em 2015. Segundo ele, há dez anos a empresa registra crescimento anual de dois dígitos. “Continuamos sendo muito otimistas com o Brasil”, diz.

Somente no segmento de cafés – com as marcas Melitta e Bom Jesus – a receita cresceu 14% em 2012, enquanto as vendas de filtros aumentaram em 7%. O Café Bom Jesus, do Rio Grande do Sul, foi adquirido pela Melitta em 2006 e possibilitou uma maior presença na Região Sul, que compõe, juntamente com São Paulo, o maior mercado para a companhia. O plano para os próximos anos é crescer em outros Estados e regiões.

Para este ano, a companhia prevê investimentos de R$ 70 milhões (ante mais de R$ 60 milhões em 2012) em pesquisa, propaganda e ações com consumidores e clientes. Também estão previstos aportes de R$ 14 milhões nas fábricas (em equipamentos, aumento de capacidade e qualidade) e na mudança para um novo escritório em São Paulo. No ano passado, os investimentos nas plantas somaram R$ 6 milhões.

A empresa possui três fábricas no país, duas de torrefação de café – uma em Avaré (SP) e outra em Bom Jesus (RS) – e uma em Guaíba (RS) para fabricação de filtros e papéis industriais. A empresa também comercializa acessórios, como jarras e suporte para filtro.

A empresa adquire a matéria-prima de cooperativas e cafeicultores. No fim de 2011, a Melitta deixou de exportar café verde para Europa e outras regiões diante de mudanças na legislação do PIS/Cofins no Brasil.

Com presença em mais de 60 países, a Melitta está entre as maiores empresas de café da Europa. No Brasil, é líder e pioneira nos segmentos de café a vácuo e filtros de papel. O café Melitta ocupa ainda a terceira posição no mercado de café torrado e moído, segundo a Nielsen.

Em 2012, a fatia dos cafés da companhia no mercado nacional foi de 7,7%. No de filtros de papel (incluindo as marcas Jovita e Brigitta), chegou a 62%. “Vamos continuar investindo e reinvestindo na nossa empresa”, declara Wolfson.

As perspectivas, de modo geral, são positivas para o mercado de café, na avaliação do presidente da Melitta. “O Brasil é um dos grandes pilares da Melitta mundial. Grande parcela do consumo do grão vem do Brasil, e o consumo mundial não para de crescer”.

Desde 1908, quando o grupo Melitta surgiu na Alemanha, a partir do registro da invenção de Melitta Bentz do primeiro coador de café, a indústria passou por muitas mudanças e inovações.

O café tradicional da companhia ainda é o mais comercializado no Brasil, mas a empresa aposta que o interesse do consumidor pelos cafés especiais vai aumentar nos próximos anos.

Wolfson ainda deixa no ar que a Melitta está com mais planos de inovação, sem citar em quais frentes a companhia poderia atuar. No ano passado, lançou no Rio Grande do Sul e Santa Catarina a bebida láctea com café pronta para beber Melitta Wake, voltada para o público jovem.

O produto foi desenvolvido no Brasil e, por enquanto, só é vendido no país e tem boa aceitação, conforme Wolfson. Neste ano, a comercialização foi ampliada para o Paraná, e a estimativa é expandir, aos poucos, a venda para outras regiões.

Sobre o segmento de monodoses (cápsulas e sachês para consumo individual), Wolfson considera que o mercado será importante no Brasil, mas que o consumidor, de forma geral, ainda prefere o café “passado” (filtrado). O executivo também crê que o consumo de café aumentará dentro e fora do lar, mas a grande parcela do consumo brasileiro “ainda está em casa e vai continuar”, prevê.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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