Otimismo no setor de máquinas se reflete em empregos e investimentos

Expointer 2019
Vista aérea

Expointer 2019 Vista aérea

/CLAITON DORNELLES /JC

Thiago Copetti

Primeira grande feira do agronegócio dentro do ano safra brasileiro, que vai de julho a junho, a Expointer é um termômetro para o setor de máquinas agrícolas sobre como deve se comportar o mercado nos meses seguintes. E olhando o atual momento, já dentro do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, as indústrias do setor são unanimemente otimistas, por mais de um motivo.

O setor representa cerca de 99% dos negócios no parque, garantiu R$ 2,3 bilhões em intenções de compras em 2018, e é um dos segmentos que já vem aumentando as vagas de trabalho, de acordo com dados da secretaria de Planejamento do Estado. Apenas no primeiro semestre deste ano as indústrias de máquinas agrícolas ampliaram em 1,3 mil o número de empregados no Rio Grande do Sul, passando de 22,3 mil funcionários em junho de 2018 para quase 23,6 mil em junho deste ano.

Além disso, o setor vem investindo em ampliação e em tecnologia. Em Santa Rosa, por exemplo, a AGCO já deu início a produção de sua nova marca, a Fendt, lançada no Brasil em abril deste ano. A cidade do Noroeste do Estado também comemorou o recente anúncio da ampliação da unidade local da fabricante gaúcha Stara, um investimento de R$ 35 milhões. O mesmo valor será aplicado pela empresa em sua sede, em Não-Me-Toque. Já Horizontina verá em breve a expansão da John Deere, que também fará investimentos em sua unidade de tratores em Montenegro.

Vigora hoje a visão de que as vendas serão positivas tanto em 2019 quanto no primeiro semestre de 2020 depois de queda de 6,9% nas vendas de 2018. Se seguir os rumos esperados pelo diretor de vendas da Massey Ferguson, Eduardo Nunes, em 2019 o setor começará agora uma retomada que deve culminar, em 2022, com o retorno aos patamares de produção de 2014. Naquele ano foram comercializados no Brasil 62 mil tratores e colheitadeira, um dos melhores resultados da história, registrado logo após o recorde do setor, em 2013, com 73,7 mil unidades. "Vale lembrar que mais de 50% das máquinas que estão em campo, hoje, tem 15 anos ou mais. Há um grande parque de máquinas a ser renovado no Brasil", diz Nunes.

Para Rodrigo Bonato, diretor de vendas da John Deere Brasil, por exemplo, o atual momento é único para o setor, por mais de uma razão. O fator de estímulo mais imediato – e com impacto direto já na Expointer – é a atual alta do dólar e da cotação da soja, avalia o executivo. Bonato ressalta que o ânimo atual dos agricultores brasileiros é notável. "É interessante notar que apesar de a cotação da soja em Chicago ter caído na terça-feira, o preço no Brasil bateu os R$ 87,00 com prêmio de US$ 1,4 no porto de Paranaguá, o que apesar de já ter ocorrido em 2018, é anormal para o período. Com o dólar chegando aos R$ 4,18, como ocorreu nesta semana, os ganhos aos produtores são relevantes", explica o executivo.

Outro estímulo aos negócios, para Bonato, vem dos novos gestores do agronegócio, com os jovens que estão assumindo o comando das fazendas querem mais tecnologia para suas lavouras. O que não significa apenas "ferro", como executivo se refere à máquina em si, mas também inteligência, ou seja, pacotes de gestão digital e outros serviços.

Para a Valtra, o cenário positivo para o agronegócio gaúcho vem da previsão de safra recorde de soja, milho e arroz no Estado, além do incremento histórico na produção de grãos no País. Com isso, os executivos da multinacional apostam que 2020 já será um dos melhores anos para o setor primário.

"Esta é a quarta safra positiva no Rio Grande do Sul e, caso as projeções do governo gaúcho se confirmem, terão reflexo direto na rentabilidade e na capitalização dos produtores. A previsão é de que a renda do produtor no Estado alcance R$ 36 bilhões em 2019 e R$ 37 bilhões em 2020, conforme levantamento da área de inteligência da AGCO", disse o diretor de vendas da Valtra, José Carramate.

Aliada ao aumento na produção no campo, o executivo salienta também os bons preços de mercado, especialmente da saca de soja. Como consequência, produtores estão investindo em novas tecnologias e no incremento da comercialização de máquinas em torno de 4% em 2019, em comparação com 2018, quando forma comercializadas 44.562 unidades, segundo dados da Anfavea. "A Expointer é sempre um termômetro para o ano seguinte e notamos uma alta resposta de consumidores na feira, o que deve refletir no segundo semestre do ano e também no início de 2020", disse o vice-presidente de vendas da AGCO na América Latina, Rodrigo Junqueira.

No horizonte, porém, também existem preocupações. Há quem tema que falta de recursos do Moderfrota, o que afetou as vendas no início deste ano, possa se repetir com fim dos valores ainda em dezembro deste ano. Mas para Diogo Melnick, diretor de marketing comercial da Case IH para América Latina, ainda é cedo para saber como será o comportamento do governo neste quesito. Como os recursos previstos para o ciclo 2019/2020 estão nos mesmos patamares do plano 2018/2019, aportes extras devem se repetir como foi feito em março deste ano.

Fonte : Jornal do Comércio

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