Orfeu investe para expandir sua fatia em cafés especiais

Silvia Costanti/Valor

Amanda Capucho, CEO da marca Orfeu Cafés Especiais, afirma que a categoria ainda é pouco explorada no Brasil

Criado há 11 anos e com foco num mercado que ainda pode ser considerado de nicho no Brasil, o Café Orfeu passa por um processo de profissionalização e investe na renovação da marca e no aumento do portfólio de cafés especiais para ampliar sua atuação no país.

Produzido na Fazendas Sertãozinho – cujas áreas estão no sul de Minas Gerais e na Mogiana paulista -, o Orfeu era até pouco tempo encontrado apenas em cafeterias, restaurantes e em poucas lojas do varejo do país. Esse cenário começa a mudar, pois a empresa – agora Orfeu Cafés Especiais – está colocando em prática um ambicioso plano de expansão.

Se hoje os cafés especiais com a marca Orfeu representam apenas uma pequena parcela do que a Sertãozinho produz, o objetivo é mudar esse cenário até 2020, afirma Amanda Capucho, contratada em agosto deste ano para o recém-criado posto de CEO da marca Orfeu Cafés Especiais.

Até então, o negócio Orfeu era tocado pela direção da Fazendas Sertãozinho, que está sob o comando do engenheiro agrônomo José Renato Gonçalves Dias.

Atualmente, as propriedades que fazem parte da Sertãozinho – localizadas em Botelhos e Poços de Caldas, no sul de Minas, e em São Sebastião da Grama, na Mogiana paulista – produzem 20 mil sacas de café, e 65% desse volume são cafés especiais e gourmet. Desses 65%, uma fatia de 60% é exportado como café verde e apenas 5% ficam no mercado doméstico com a marca Orfeu. "O objetivo é inverter essa relação", diz Amanda. Os 35% restantes produzidos pela Sertãozinho são de cafés tradicionais e superiores, destinados à exportação.

Os cafés da fazenda são vendidos para países como a França, Itália, Estados Unidos, Japão, Noruega e Austrália. Entre os clientes estão illycaffè e Starbucks.

A certeza de que inverter esse cenário é possível tem como base estudo de mercado feito no último ano pela empresa para "entender o que o consumidor quer", explica a executiva, que antes do Orfeu era diretora comercial da área de B2B da Nespresso Brasil. "Essa é uma categoria ainda não explorada. Existe demanda para categorias de cafés especiais, com qualidade superior, doçura superalta. O estudo mostrou que o brasileiro quer essa experiência", garante.

Dentro dessa nova estratégia de ganhar espaço no mercado doméstico, a empresa ampliou os investimentos na área comercial e na marca este ano. Amanda Capucho não revela os valores, mas diz que são 10 vezes maiores do que os aportes feitos em 2015 com o mesmo objetivo. E acrescenta que o montante deve dobrar no ano que vem.

Como reflexo desses investimentos, a marca já está em mais lojas do varejo. Até setembro, era encontrada em cerca de 30 lojas do Pão de Açúcar no país. Hoje tem penetração nacional e está em 170 lojas da rede, segundo a diretora. Além disso, chegou a outras varejistas, como Mambo e St Marché. Os investimentos também contemplaram a abertura de um escritório em São Paulo, modernização do site de vendas e melhorias na logística de entrega de produtos. Cafeterias e restaurantes com o produto são 200 no Brasil.

Sempre sem revelar valores, ela afirma que o resultado dessas mudanças é que o faturamento do Orfeu Cafés Especiais em outubro foi igual ao de todo o ano de 2015.

Afora a ampliação dos pontos de venda do produto, o Orfeu também está investindo na promoção dos cafés nas gôndolas do varejo e nas redes sociais. A partir de fevereiro de 2017, lançará ainda campanhas na tevê e em revistas.

Para sustentar a expansão do Orfeu Cafés Especiais, a Sertãozinho tem investido para ampliar sua produção de matéria-prima. O movimento – com aportes em tecnologias para que os cafezais ganhem produtividade, por exemplo – já tem alguns anos, mas se fortaleceu há dois, com a aquisição de duas novas propriedades de café em Botelhos.

Hoje, a Sertãozinho produz cerca de 20 mil sacas, e o plano é alcançar 50 mil sacas na safra 2018/19. De acordo com Amanda Capucho, o início da produção em escala comercial de café das duas novas fazendas e os e ganhos de produtividade devem permitir esse crescimento.

Considerando as novas propriedades – que têm produção irrigada -, a Sertãozinho tem hoje 3 milhões de pés de café arábica plantados numa área de 1 mil hectares. A fazenda foi formada há 21 anos – com a aquisição de propriedades já tradicionais em café -, mas até 2005 só atuava na exportação do grão.

Na sede, em Botelhos, o café é torrado e embalado. Na fazenda também há uma linha de encapsulamento de café com a marca Orfeu. "Há um controle de todo o processo, desde a planta até a embalagem", comenta Amanda.

Os cafés especiais produzidos na Sertãozinho e comercializados com a marca Orfeu são certificados, entre outros, pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) e pela UTZ. Os especiais orgânicos, em sua primeira colheita na Sertãozinho, têm ainda a certificação da Orgânico Brasil.

 

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte :Valor

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