Oposição pede investigação na Agricultura

Fonte: O Globo Cristiane Jungblut | crisjung@bsb.oglobo.com.br

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Denúncia de corrupção em ministério do PMDB mobiliza parlamentares. Governo desmente acusações de Jucá Neto

BRASÍLIA. Com a avaliação de que outros partidos da base aliada do governo se tornarão alvo de denúncias em órgãos que comandam, a oposição cobrará a investigação de novos casos, como as irregularidades apontadas no Ministério da Agricultura, em especial na COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). O PPS quer que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue o caso. Com a volta dos trabalhos do Congresso, o PSDB e o DEM analisarão as novas denúncias.

Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), os recentes problemas apontados em diferentes órgãos, que começaram com o Ministério dos Transportes, mostram "a leniência" que o ex-presidente Lula tinha com condutas irregulares de seus aliados.

Denúncias de pagamento para empresa de fachada

Demitido da direção da CONAB depois de autorizar – sem permissão e com verba que não poderia ser usada para esse fim – um pagamento para uma suposta empresa de fachada, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse à revista "Veja" que há um esquema de corrupção no órgão. As denúncias foram rebatidas com veemência pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que classificou a postura de Jucá Neto como retaliação por ter sido demitido.

O próprio senador Romero Jucá se apressou para desqualificar as denúncias do irmão, se solidarizando com Wagner Rossi, cujo padrinho político é o vice-presidente Michel Temer. À "Veja", Jucá Neto apontou irregularidades na venda de um terreno e no pagamento judicial pelaCONAB à empresa Caramuru.

O líder tucano Duarte Nogueira disse que a presidente Dilma Rousseff terá que enfrentar sua base aliada para continuar promovendo a faxina no governo.

– Todas essas informações atingem agora o PMDB e o PTB. A extensão das irregularidades vai muito além das encontradas nos Transportes, na Agência Nacional do Petróleo. Governos sempre têm problemas, mas o que não pode é ter problemas em todos os lugares. É uma espécie de modus operandi tolerado dentro do governo. É o estilo Lula de governar: licencioso ao extremo com os aliados. A presidente Dilma está tendo essa dificuldade de fazer expurgos. Vamos insistir na fiscalização de todas essas informações – disse Duarte Nogueira.

"Governo precisa passar por auditoria geral", diz PPS

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), segundo nota do partido, disse que o caso da CONAB agrava a situação do governo. "É preciso um pente-fino dos órgãos controladores. As irregularidades aparecem a toda hora. Achamos que esse governo precisa passar por uma auditoria-geral. Isso põe em risco a governabilidade de Dilma Rousseff", disse Rubens Bueno, segundo um comunicado do PPS.

Já o líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), disse que a oposição tem que cobrar a investigação de todas as denúncias.

– Tudo tem que ser investigado. Há problemas com PR, PCdoB, PMDB, PP… Como a Dilma vai agir? Vai agir com o governo inteiro como fez com o PR? Temos que aguardar o que vai acontecer a partir de terça-feira (amanhã) – disse ACM Neto, citando partidos que controlam ministérios que foram alvo de denúncias de irregularidades nos últimos dias.

Entre os casos narrados por Jucá Neto, está o da empresa Caramuru Alimentos. A firma teria uma dívida judicial de R$14,9 milhões, mas ele teria sido informado de que a CONAB iria arredondar o valor para R$20 milhões. E a diferença ficaria com autoridades do ministério da Agricultura, segundo disse à "Veja".

Outro caso é o da venda de um imóvel da CONAB por um valor baixo e a um amigo do líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF).

Ministro: acusações são "elucubrações" de Jucá Neto

Ao rebater as acusações, o ministro Wagner Rossi disse ao GLOBO que o terreno foi vendido por em leilão e com valor acima do fixado pela Caixa Econômica Federal (CEF). No caso da empresa, disse que o valor a ser pago é definido pela Justiça.

– Isso é uma elucubração de quem se sentiu prejudicado, porque perdeu o cargo, mas perdeu por ato dele que foi ilegal e que tive que mandar para a CGU. O caso dele é de flagrante ilegalidade, e o que ele cita não tem a menor base – afirma Rossi.

O ministro diz que sabia que poderia haver retaliações.

– Mas prefiro sofrer campanha difamatória como essa, absurda, do que ser conivente com ações que lesam o erário público, como foi a cometida por ele – disse Rossi.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá, disparou telefonemas desde sábado para desmentir o irmão.

– Lamento – disse Jucá.

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